O jovem que começou modestamente a sua vida de comerciante, tornou-se um dos homens mais ricos e influentes da colônia alemã Arquivo/FN

Frederico Mentz foi, sem dúvida, um homem de grande talento para os negócios. Suas empresas tomaram proporções gigantescas no início do século passado. Ele tornou-se um magnata e comandou um império.

Mas não foi ele que construiu as bases do conglomerado de empresas que veio a comandar em Porto Alegre. Os iniciadores deste grande empreendimento foram o pai e o avô de sua esposa Catarina Trein: Christiano Jacob Trein e Franz Peter Trein.

O imigrante Franz Peter Trein nasceu na cidade de Leisel, em Birkenfeld, Alemanha, em 30 de janeiro de 1816. Era filho de Johann Franz Trein e Marie Jakobine Moog. No ano de 1825, ele veio para o Brasil, juntamente com os pais, um irmão e uma irmã. De 1835 a 1845, Franz participou da Guerra dos Farrapos, juntamente com o seu irmão. Eles fizeram parte da Companhia de Caçadores Voluntários Alemães, recebendo soldo de 700 réis diários. Seu comandante era o Major Kersting e, acima dele, o Barão de Jacuí (Francisco Pedro Buarque de Abreu, também conhecido como Chico Pedro ou Mouringue, importante comandante na Guerra dos Farrapos, defendendo o lado do Império, personagem destacado na história de Montenegro).

Quando foi para a guerra, Franz Peter tinha 19 anos. Ao voltar para a colônia, era pobre, mas já sonhava com grandes negócios. Ele tentou implantar um negócio de exportação de pedras preciosas. Mas não teve êxito.

Em 1846, estabeleceu-se como comerciante na localidade de Bom Jardim (hoje, Ivoti). Além do comércio, ele se dedicava também à agricultura, como era comum na época. Em 11 de janeiro de 1847, casou-se com Katharina Kessler (nascida em 21 de agosto de 1825, em Mörschied, Birkenfeld, na Alemanha).

O casal teve oito filhos: Philipp Carl (1848-1899), Christian Jakob (1850 -1916), Wilhelm (1859-1905), Julius Franz, Jakob, Fritz, Mathilde e Amalie.

Em 1850, abriu novo estabelecimento comercial na localidade de 14 Colônias (hoje, Lindolfo Collor, município vizinho a São José do Hortêncio). Em 1862 construiu uma nova casa comercial, esta com salão de baile, em Linha Hortêncio (hoje, São José do Hortêncio).

Em março de 1863 ele construiu um moinho de roda d’água, para moer trigo e amendoim. O óleo extraído do amendoim era utilizado em lamparinas, para iluminação. O moinho era uma construção notável, que mereceu cumprimentos do presidente da província àquela época Marcondes Homem de Mello.

No dia 1º de abril de 1869 fundou uma grande casa comercial na pequena localidade de Porto do Guimarães (mais tarde, São Sebastiao do Caí) e ingressou no Partido Liberal, como representante da colônia alemã.

Em 28 de outubro de 1869, Franz Peter discursou saudando o imperador Dom Pedro II, que visitava a colônia alemã depois de uma viagem de inspeção às tropas na Guerra do Paraguai.

Em 8 de janeiro de 1883, Franz Peter Trein caiu do cavalo e veio a falecer e foi sepultado no cemitério evangélico de São José do Hortêncio.

A avenida Francisco Trein, em Porto Alegre (no bairro Cristo Redentor), recebeu este nome em homenagem a Franz Peter Trein, pela ajuda que ele deu aos portoalegrenses pobres, enviando alimentos numa ocasião em que grassava a peste na capital da província.

O jovem que começou modestamente a sua vida de comerciante em Ivoti, havia se tornado um dos homens mais ricos e influentes da colônia alemã.

O irmão mais velho de Christiano, chamava-se Carlos Felipe Trein e foi também um grande negociante. Nascido em Estância Velha, em 4 de fevereiro de 1848, faleceu no Caí em 21 de outubro de 1899. Foi comerciante e industrial, iniciador da conservação de carne no Rio Grande do Sul, proprietário de barcos fluviais, fomentador da imigração italiana. Era casado com Henriqueta Blauth, nascida em Linha Nova, e depois (viúvo) casou novamente com Guilhermina Ritter, também natural de Linha Nova (filha de Jorge Henrique Ritter e Elisabeta Fuchs).

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