A criação da ferrovia ligando a serra (foto da estação férrea de Caxias do Sul em 1910) a capital via Montenegro, acabou prejudicando alguns municípios como Bom Princípio, Tupandi, São Vendelino e Feliz que ficaram fora do fluxo comercial Reprodução/Internet

Por volta do ano de 1910 as terras no Vale do Caí também estavam todas ocupadas e tanto os novos imigrantes chegados da Europa como os filhos do colonos do Vale do Caí (quando cresciam e se casavam) eram dirigidos para novas colônias situadas no norte do estado ou mesmo na Argentina, onde ainda haviam áreas disponíveis para a colonização.

Ao mesmo tempo, ocorreu outro fator negativo para o desenvolvimento da região que foi a falta de meios de transporte adequados para a produção. Até o final do século XIX e mesmo no início do século XX, a navegação fluvial no rio Caí (ainda mais com a construção da Barragem Rio Branco, em Pareci Novo) colocava o Vale do Caí numa situação privilegiada na questão de transportes. A navegação no rio Caí foi tão importante que a Barragem Rio Branco, que foi a primeira obra deste gênero construída no Brasil. Feita para facilitar a navegação mesmo quando o rio estava com seu nível mais baixo, a obra foi iniciada em 1895 e concluída somente em 1906, tendo sido totalmente financiada com recursos da iniciativa privada.

Mas a partir da segunda década do século XX as estradas de ferro e depois as rodovias passaram a ser mais econômicas e eficientes do que a navegação fluvial. E o Vale do Caí (e principalmente a região de Bom Princípio, São Vendelino e Tupandi) ficaram em situação de desvantagem quanto à disponibilidade de meios de transporte. Produtores de outras regiões melhor servidas neste aspecto tornaram-se mais competitivos do que os produtores locais.

A melhoria da estrada que sobe a serra por São Vendelino era uma antiga reivindicação da região colonial italiana. Em 13 de janeiro de 1888 a assembléia provincial chegou a autorizar o presidente da província a contratar com Joaquim Carvalho Bastos a construção do primeiro trecho de uma estrada de ferro que, partindo do Caí (onde havia o porto) se dirigiria às colônias de Caxias, Conde D’Eu e Dona Isabel (Garibaldi e Bento Gonçalves). Mas houve demora na construção e, no ano seguinte, surgiu uma outra proposta alternativa apresentada pelos engenheiros Manoel Correia da Silveira Neto e Sílvio Pereira Rangel, propondo a construção de uma linha férrea que partisse de Novo Hamburgo (onde já havia ferrovia para Porto Alegre). Esta ferrovia contaria com uma ponte sobre o rio Caí na Feliz ou em Bom Princípio e subiria a serra passando por São Vendelino (na época ainda denominada Santa Maria da Soledade). Mas este projeto, caso fosse efetivado, deixaria o porto do Caí e a própria cidade de São Sebastião do Caí à margem do fluxo comercial e causaria enorme desastre econômico nesta cidade que se desenvolvia espetacularmente naquela época. A influência dos líderes caienses e das poderosas empresas de navegação pode ter influenciado para que o projeto não fosse executado. A estrada de ferro ligando Porto Alegre à Serra acabou sendo construída pelo ano de 1910, passando por Montenegro e Salvador do Sul.

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