No Vale do Caí ocorreram muitos entreveros da revolução

Entre os anos de 1835 e 1845, a província do Rio Grande do Sul foi convulsionada pela grande Revolução Farroupilha. Ela envolveu todas as regiões do Estado e o Vale do Caí não foi exceção. Enquanto a maioria dos habitantes de origem lusa aderiram ao movimento revolucionário, os alemães recém chegados permaneceram, na sua maioria, fiéis ao governo imperial. Alguns grupos de guerrilheiros farroupilhas foram formados na região e mantiveram-se, por longos anos, em combate contra as forças legais. Forças estas que, na região, eram comandadas pelo doutor Daniel Hillebrand, que era alemão e encarregado da administração da Colônia Alemã de São Leopoldo.

Alguns dos mais importantes moradores da região, como Hortêncio Leite de Oliveira e Manuel dos Santos Borges apoiaram a revolução, participando dela diretamente ou através de seus filhos.

O mais importante líder farroupilha da região veio a ser o Capitão Carlos José Lucas, de Capela de Santana. Ele comandou um grupo de guerrilheiros que fustigou as tropas legais durante anos, causando mortes inclusive entre os colonos alemães. Só se rendeu em 1842, quando o movimento revolucionário já se enfraquecera e não havia mais condições de continuar o combate na região do Vale do Caí.

A guerra continuou ainda na região de campanha, no sul do Estado. Carlos José Lucas foi anistiado, veio a casar com a viúva de Hortêncio Leite e tornou-se um homem influente depois da revolta. Dois descendentes seus vieram a ser prefeitos municipais caienses: seu filho Orestes José Lucas e o bisneto também chamado Orestes José Lucas.

Os dez anos da revolução representaram grande prejuízo para o progresso da região. Foram registrados casos de colonos alemães que navegavam pelo arroio Cadeia e foram mortos em conflito com os revolucionários farroupilhas. O sítio de Bernardo Mateus (área correspondente à atual cidade do Caí) é um exemplo dos prejuízos causados pela guerra. Bernardo morreu em 1836 e seu filho (Francisco Mateus) tornou-se combatente revolucionário e desapareceu. As terras, abandonadas, foram saqueadas pelos guerrilheiros e pelas tropas imperiais, que levaram alimentos, utensílios e cavalos.

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