Em 1754 a região do Vale do Caí fazia parte da freguesia de Triunfo (foto) Reprodução/Internet

O texto abaixo é uma continuação da postagem anterior: Lagunenses ocupam o território gaúcho

Assim como José Leite de Oliveira, Manuel Gonçalves Meirelles também era genro de Jerônimo de Ornelas. Ele fundou, em 1752, a povoação de Triunfo, às margens do rio Taquari, no ponto em que ele desemboca no Jacuí. Esta povoação prosperou e veio a transformar-se em sede de freguesia (o equivalente hoje a um município) já no ano de 1754. Triunfo foi a terceira freguesia criada no Rio Grande do Sul, depois da de Rio Grande e da de Viamão. A região do Vale do Caí ficou pertencendo à freguesia de Triunfo.

Em 1756 ficou pronta a igreja de Triunfo, começada dois anos antes e, no ano de 1757, a povoação ganhou o seu primeiro sacerdote, que se chamava Thomaz José Clarque. Este sacerdote cuidou da paróquia de Triunfo até 1779 e, portanto, foi o responsável pela assistência religiosa à população do Vale do Caí. Dedicado e meticuloso, ele deixou um registro das suas peregrinações por este território, no qual consta que no território compreendido entre os rios Caí e Sinos existiam, no ano de 1757, oito fazendas. Seus proprietários eram José Leite de Oliveira, Luis Alves Coelho, José Pinto Ramires, Sebastião Gomes de Carvalho, Francisco Dias Sales, Manoel Corrêa, Bernardo Batista e João Velho da Costa. Um ano depois, o Padre Clarque relatou a existência de 16 casas em todo o extenso território compreendido entre os dois rios. Nelas moravam 92 pessoas em idade de confessar. Destas 57 eram membros das famílias proprietárias das casas, 24 eram escravos e outras 11 eram agregados ou camaradas.

Mas a distância que os moradores tinham de percorrer para ir na missa em Triunfo era muito grande e, por isto, eles resolveram construir uma igreja mais próxima. Nos anos de 1770 e 1771 foram remetidos dois requerimentos à Cúria do Arcebispado do Rio de Janeiro pedindo licença para a construção de uma capela dedicada a Santa Ana. A região compreendida entre os rios Caí e Sinos dava a impressão de ser uma ilha pois era cercada pelas águas destes dois cursos d’água e ainda pelas dos arroios Cadeia e Portão. Por isto, aquelas terras eram conhecidas como Ilha do Rio dos Sinos. E a capela a ser criada foi denominada Capela de Santa Ana do Rio dos Sinos.

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