Para os imigrantes alemães que vieram para o Rio Grande do Sul, a construção de uma escola era uma prioridade Reprodução/Internet

Hoje já existem famílias que, quando vão decidir o bairro ou a cidade onde irão morar levam em conta a qualidade do ensino que lá poderão ter para os seus filhos. Também existem, hoje, famílias que se empenham em ajudar a escola dos filhos, para que ela possa oferecer boa qualidade de ensino.

Mas no século XIX isto era muito mais raro por aqui. A educação dos filhos não era prioridade para a maioria dos pais, que tinham de enfrentar as duras condições de vida daquela época.

A exceção a esta regra eram os colonos alemães. Vindos recentemente da Europa eles ainda guardavam consigo a ideia de que a boa educação é fundamental para o futuro dos seus filhos. E os colonos não descuidavam delas nem mesmo quando se embrenhavam no meio da selva para estabelecer novas colônias. E em Bom Princípio não foi diferente. Sem contar com apoio do governo, logo nos primeiros anos de implantação da colônia os primeiros moradores de Bom Princípio trataram de se unir para implantar uma escola para os seus filhos. A primeira escola de Bom Princípio foi criada pela comunidade católica em 1858, sendo João Hartmann o seu primeiro professor.

No seu livro Maristas no Brasil Meridional, o irmão Alfredo Henz (nascido na Feliz, em 1918) explana sobre este assunto com muita propriedade:

“No começo, os imigrantes, antes de pensar em construir a própria casa, tratavam de construir a escola-capela. Todos punham mãos à obra; era uma questão de honra. Antes de se transferirem para outro local, perguntavam se lá havia uma escola. Era dito popular: lugar de criança é na escola.

Para a função de professor, nos primeiros tempos da colônia, cada grupo escolhia uma pessoa idônea, pai de família ou jovem mais preparado, uma vez que todos vinham da Europa com bom nível de instrução. Alguns tinham trazido até livros e pequeno material didático.

Como o governo não interferia na administração das colônias, também não fiscalizava o ensino. Por isso, em cada paróquia ou capela, havia o Conselho dos Censores para zelar pela igreja e a Comissão Escolar para administrar a escola. Ambos eram escolhidos pela comunidade.

No fim do ano, quem quisesse podia assistir às provas e fazer perguntas aos alunos. Assim os pais padrinhos, tios, avós se faziam presentes na escola para verificar, de público, o adiantamento dos filhos, afilhados e netos. O exame era sempre um grande estímulo para os alunos e constituía um acontecimento importante na colônia. Parecia um juri popular. Não era só para estimular os alunos, era, sobretudo, para avaliar a dedicação e a competência do professor.”

E assim a comunidade de Bom Princípio conseguiu prover a razoavelmente a educação dos seus filhos nas primeiras décadas da colonização. No final do século XIX, com a prosperidade alcançada pelos colonos com as suas atividades agrícolas e comerciais, o povo de Bom Princípio podia aspirar a algo mais em termos de educação e não ficaram apenas no desejo. Eles conseguiram trazer para o seu pequeno vilarejo uma das melhores escolas do Brasil, com professores vindos diretamente da Europa.

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