Também em Vale Real, Arno Carrard atuou em favor da emancipação Arquivo/FN

O Vale Real teve uma fase de grande prosperidade no final do século XIX e no início do século XX. Época em que o atual município pertencia a São Sebastião do Caí. A economia local era forte devido à produção agrícola, com destaque para o feijão (no final do século XIX) e a alfafa (no início do século XX). E a vila de Vale Real, então conhecida como Kronenthal contava com grande movimento comercial.

Depois disto, no entanto, a localidade enfrentou uma longa fase de estagnação que não chegou a ser muito alterada quando, em 1959, foi criado o município de Feliz e Vale Real passou a ser um de seus distritos. Houve algum progresso com o asfaltamento da rodovia que atravessa o município e com a instalação de uma fábrica da Reichert Calçados. Mas nada disto representou um impulso decisivo para o desenvolvimento da localidade. Um sopro forte de progresso só foi dado quando, em 20 de março de 1992, Vale Real conquistou a sua emancipação.

Desde 1982, quando aconteceu a emancipação de Bom Princípio, várias outras comunidades do Vale do Caí se motivaram a seguir o mesmo caminho. Bom Princípio teve um progresso extraordinário depois da sua emancipação e isto despertou em outras comunidades o desejo de obter progresso semelhante. Em 1988, as pequenas comunidades de Tupandi e São Vendelino se emanciparam de Bom Princípio, deixando claro que Vale Real teria plenas condições de fazer o mesmo.

Como os plebiscitos pela emancipação só podiam ocorrer juntamente com as eleições municipais, a próxima oportunidade surgiria apenas em 1991. Arno Carrard, que foi o líder da emancipação de Bom Princípio, fazia campanha por novas emancipações e entrou em contato com Silvério Stroher que era, na ocasião, o presidente da Sociedade Aliança de Vale Real. Tentou convencer Silvério a liderar o movimento. Ele chegou a entusiasmar-se, mas, como na ocasião residia em Sapucaia e trabalhava como gerente de banco em Igrejinha, sentiu-se impossibilitado de assumir a incumbência.

A presidência da comissão emancipadora coube a Roque Freiberger e a campanha desenvolveu-se bem. Além de Arno Carrard, também o prefeito de São Vendelino, Jair Baumgratz, participou de reuniões promovidas pelos emancipacionistas e falou das grandes vantagens proporcionadas pela emancipação. Clóvis Assmann, que era o prefeito de Feliz na ocasião, não fez objeção à emancipação e também o ex-prefeito Paulo Caye, que fora contrário à emancipação quatro anos antes, dava o seu apoio, reconhecendo as vantagens que a população de Vale Real teria com a emancipação.

O primeiro governo

Mesmo assim ocorreram sérios contratempos. Algumas localidades incluídas inicialmente no projeto de emancipação reagiram à sua inclusão e tiveram de ser retiradas para evitar que o não saísse vitorioso no plebiscito ou que uma medida judicial viesse a inviabilizar a emancipação. Mas as dificuldades foram superadas e a emancipação foi aprovada no plebiscito ocorrido em 1991.

Por esta mesma época, Silvério Stroher assumiu a gerência da Caixa Federal na cidade de Feliz. E, com isto, acabou convencido a candidatar-se a prefeito. Concorreu apoiado pelo PDT, PDS e PTB e tendo Luis Schweizer como candidato a vice. Venceu os candidatos do PMDB, Édio Schneider e Inácio Barth, por uma diferença mínima: 89 votos.

Silvério nasceu no Vale Real em 20 de maio de 1951, filho de modestos agricultores. Nos seus tempos de menino, a escola local só oferecia estudo até o quinto ano primário (equivalente à quinta séria do primeiro grau). Por isto, só quando adolescente ele pode continuar os estudos, indo diariamente, de bicicleta, até Feliz para cursar o ginasial. Depois disto, Sílvério prosseguiu seus estudos em Porto Alegre, estudando à noite e trabalhando durante o dia para se manter. Com isto ele aprendeu a necessidade de economizar. O que foi muito útil na sua atuação como prefeito.

A primeira preocupação de Silvério Stroher no seu primeiro governo foi a de evitar os desperdícios e o empreguismo. Ao longo dos seus quatro anos de governo, ele manteve os gastos com o funcionalismo público em 26 % do total da receita da prefeitura (hoje ele está em 42 %*). Com isto sobrava muito dinheiro para fazer investimentos e assim, além de instalar a prefeitura e comprar máquinas para o setor de obras, Silvério conseguiu asfaltar cinco quilômetros de ruas na sede do município (antes não havia nenhuma rua pavimentada). Outra grande conquista do primeiro governo municipal foi a implantação da central de telefonia automática da CRT. O Centro de Convivência do município, com praça e um grande ginásio de esportes além de outras instalações, foi mais uma obra marcante. E, é claro, muitas outras realizações importantes foram feitas nas áreas de saúde (o município foi um dos primeiros no estado a contar com médico de família) e educação (como a implantação do ensino de 1º Grau Completo na localidade de Arroio do Ouro). Também foi feita a rede de água na sede municipal.

Depois de um período de muita dificuldade o município agora está em ritmo de crescimento
Reprodução/Internet

Ao fim dos quatro anos iniciais da sua vida emancipada, Vale Real havia mudado inteiramente de aspecto, com largas ruas asfaltadas, ajardinamentos, telefonia automática, saúde e educação estruturadas, redes de água e esgotos implantadas. Parecia que o município estava começando uma trajetória de extraordinário desenvolvimento. Uma expectativa que, no entanto, não se confirmou inteiramente.

* Texto original escrito em 18 de agosto de 2009.

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