Mário Leão era casado com Irene Hoff Leão e teve 6 filhos, 12 netos e 5 bisnetos Arquivo/familiar

Na época, o governador do estado era Ildo Meneghetti, mas Leonel Brizola elegeu-se para sucedê-lo em 1959. Dom Vicente Scherer era o Arcebispo Metropolitano e costumava vir seguidamente a Bom Princípio, sua terra natal. Para não gastar muito com o carro oficial da Cúria Metropolitana, o arcebispo costumava fazer a viagem de ônibus. Na volta, pegava um ônibus para ir de Bom Princípio ao Caí e outro para chegar a Porto Alegre. O doutor Mário, em várias oportunidades, deu-lhe carona até a capital.

Dom Vicente era muito ligado a Leonel Brizola e, certa vez, apostou um churrasco com o doutor Mário afirmando que Brizola cumpriria a promessa de fazer a ponte sobre o rio Caí, uma antiga reivindicação dos principienses. Doutor Mário apostou que Brizola não chegaria a fazer a obra e ganhou a aposta.

Mário Leão tinha apenas 33 anos (1956) quando assumiu o governo municipal. Entre as principais realizações do seu governo(1956-1959), Mário Leão destaca a extensão da rede de eletrificação no município. Na época, localidades como São José do Hortêncio não contavam com abastecimento de energia elétrica e mesmo na sede municipal a energia só chegava ao centro e ao bairro Vila Rica. Bom Princípio e Feliz contavam ainda com pequenas usinas locais que forneciam energia para a área central das duas localidades. O município foi destacado na época pelo grande incremento dado na eletrificação. Mas a maior das suas conquistas foi a implantação da hidráulica na sede municipal. Antes o abastecimento de água na cidade era extremamente deficiente, atendendo basicamente aos moradores das ruas Marechal Floriano e Marechal Deodoro. Na época, Jair Soares (que depois veio a ser governador do estado) era chefe de gabinete do governador Ildo Meneghetti e vinha ao Caí tratar das questões relativas à construção da hidráulica. A pequena rede de abastecimento de água que havia antes na cidade era um rudimentar serviço municipal. A água provinha de um poço escavado na praça central e do bombeamento de água do rio até a caixa d´água que havia também na praça. Para viabilizar a construção da hidráulica, a prefeitura comprou a área que pertencia à família Adams e a doou ao estado.

Foi na administração do doutor Mário que foram concluídas as obras do Ginásio São Sebastião, primeira escola de ensino médio na cidade. As obras foram feitas por esforço da comunidade, com apoio da prefeitura. Outra realização importante foi a atração para o município da fábrica dos produtos Kibon, que funcionou no prédio que havia abrigado anteriormente a usina elétrica municipal e, depois, a fábrica Griffith. Esta empresa, porém, não permaneceu no Caí por muitos anos.

O doutor Mário atraiu a fábrica Kibon, para o Caí, oferecendo o prédio que antes servira para a usina geradora de eletricidade, e fábrica de garrafas. Depois do fechamento da Kibon, o prédio
abrigou a fábrica Griffith que hoje já não existe mais
Arquivo/FN

De janeiro de 1960 a dezembro de 1963, o doutor Orestes Lucas voltou a assumir o governo municipal (elegeu-se como candidato único) e Mário Leão continuou participando da administração, ao mesmo tempo que dava continuidade à sua carreira como advogado.

Em 1963 ele fez concurso para promotor público e foi aprovado. Mesmo assim foi o candidato da situação para prefeito nas eleições daquele mesmo ano. Seu adversário era o imbatível doutor Bruno Cassel. Mário Leão mostrou dinamismo na sua campanha (chegou a lançar folhetos de propaganda da sua candidatura de um avião que sobrevoou a cidade), mas não conseguiu evitar o resultado negativo.

Depois disto, o doutor Mário passou vários anos atuando como promotor em diversos municípios gaúchos. Primeiramente em Marcelino Ramos, depois Candelária, Veranópolis e Taquari. Depois foi promovido para a segunda entrância, começando por Santa Rosa e depois São Sebastião do Caí (por curto período). Foi novamente promovido, para a terceira entrância, atuando em São Leopoldo e depois encerrou a carreira no Ministério Público como Procurador de Justiça, no Tribunal de Alçada, em Porto Alegre.

Retornou ao Caí na década de 80, já aposentado, e chegou a concorrer a prefeito mais uma vez. Foi o mais votado, mas não se elegeu devido à soma de votos dos candidatos da sua legenda.

Falecimento

Mário Carlos Leão, faleceu no início da noite de domingo, 28 de outubro, de 2018, por volta de 18h30, vítima de infarto. Ele estava internado no Hospital Unimed de Montenegro e tinha 95 anos de idade.

Em homenagem a esse grande caiense, o prefeito Clóvis Duarte assinou, na manhã de segunda-feira, o decreto de luto no município por três dias. Clóvis ressaltou que o doutor Mário Leão se destacou com grande habilidade na gestão pública.

O velório foi realizado no palco do Centro de Cultura e o enterro, às quatro horas da tarde de segunda-feira, no Cemitério Municipal, com grande acompanhamento.

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