Luiz Bohn discursa em homenagem ao doutor Cassel, na inauguração do seu busto. Aparecem também na foto (da esquerda para a direita) Gerson Veit, a empregada doméstica do doutor durante décadas, Bruno Cassel Filho, Aidê Silveira (filha do maestro Miguelino), o doutor, sua filha Marlene, Léo Klein e Ário Soares Arquivo/FN

Quando for escrita a história de São Sebastião do Caí, um capítulo especial terá de ser dedicado ao doutor Bruno Cassel. Clinicando na cidade por 50 anos, ele foi sempre um médico dedicado e atencioso com seus clientes, além de generoso com os mais pobres. Por isso muita gente dizia que não havia no Caí quem não lhe devia um favor.

A gratidão do povo fez dele um político vitorioso, que elegeu-se quatro vezes prefeito municipal.

Numa entrevista concedida em novembro de 1981, publicada nos jornais Momento e Fato Novo, o Doutor fez um resumo da sua vida e das suas administrações:

“Nasci em Santa Maria, no dia 26 de fevereiro de 1910. Meus pais foram Guilherme Cassel e Josefina Schirmer Cassel. Os meus antepassados mais remotos foram aqui dessa zona de Ivoti, Sapiranga… Foi meu bisavô que, saindo daqui, tornou-se um dos fundadores de Santa Maria.

Estudei no Ginásio dos Maristas, de Santa Maria, no qual cursei tanto o primário como o ginásio. Depois vim para Porto Alegre, em 1928, para fazer a faculdade. Estudei numa faculdade particular, reconhecida pelo governo e dirigida pelo velho Sarmento Leite Filho.
Me formei em 1934. Eu perdi um ano de estudo por problemas meus. Não convém relembrar (ri). Eu era muito bom aluno. Fui mal aquele ano por fatos ocorridos fora da faculdade. Como diz o castelhano, “malaceça”.

Depois de formado fui clinicar em Sananduva. Minha intenção era ficar estudando em Porto Alegre. Eu já havia trabalhado por três anos na Santa Casa, quando ainda estudante, e tinha lá muito boas relações. Quando me formei, podia ficar trabalhando lá. Mas, ocorreu que o médico de Sananduva, doutor Silveira Neto, que era um grande médico, foi assassinado. Dá para imaginar como era Sananduva, em 1935, um verdadeiro faroeste.
Os padres capuchinhos foram então até Porto Alegre para conseguir um novo médico. Na Santa Casa, a Irmã Francisca, que me conhecia desde Santa Maria e era muito minha amiga, me indicou para os padres: “Tem um médico aí que serve. E ele tem vontade de trabalhar no interior.” Um outro médico amigo meu, o doutor Ricardo, amigo meu e dos padres, me recomendou também. E assim eu acabei indo pra Sananduva e ficando por lá três anos e meio.

Me dei bem. Deixei lá muitos amigos e ganhei dinheiro, pois era uma colônia rica.
Mas tive de me mudar por diversos motivos. A minha filha nasceu lá, a minha esposa perdeu a mãe e queria ficar mais próxima da família. Lá em Sananduva era muito frio e isolado. Eu achei que devia vir mais para perto de Porto Alegre.

Quando fui pra Sananduva, eu ainda era solteiro. Depois de seis meses, foi que casei com Maria das Mercês Rey (que ficou conhecida no Caí como Dona Mercedes). Ela nasceu em Itaqui e cresceu em Uruguaiana, mas quando nós nos conhecemos ela morava em Porto Alegre. Eu ainda estudava na faculdade e era amigo do irmão dela. Como eu frequentava a casa, fomos nos conhecendo e a coisa foi dando certo. Casamos em 28 de setembro de 1935. Agora já estamos juntos há 46 anos”.

 

…continua na próxima postagem

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