Na década de 30, o Doutor Cassel fazia “milagres” clinicando com os precários recursos que a Medicina oferecia na época Arquivo/FN

“As dificuldades, no tempo em que eu iniciei minha carreira de médico, eram muito grandes. Os partos, por exemplo, não eram feitos no hospital. A mulher ficava em casa, aos cuidados de uma parteira (mulher experiente que ajudava a nova mãe no trabalho de parto). Se ela não resolvia o caso, a gente tinha de ir fazer o parto na casa da cliente. E os táxis que haviam por aí eram uns fordinhos 29, do Jorge Agnelo e do José Weingarten. O José Weingarten era um filho mais velho que eu tinha (ri). Ele gostava dum trago.

Aconteceram muitas histórias engraçadas com ele.

Certa vez fui chamado a fazer um parto na família Kunzler, lá na Linha Hortêncio. Fui procurar pelo José no Atafona, um bar que funcionava na praça, no prédio hoje ocupado pela biblioteca (atualmente, pelo Museu Histórico Vale do Cahy). Ele estava num gato (porre) medonho. Mas eu falei pra ele: “Tu tem ir” e ele foi. Na direção, ele só rosnava. Mas chegamos. Quando o carro parou na frente da casa, ele caiu por cima do volante. Era uma noite muito fria. Eu, então, pus por cima dele um casaco amarelo que ele tinha. Puchei as sarnefas (lonas) do auto e fui trabalhar no parto. Depois do serviço feito, o seu Kunzler me falou. Não. O senhor não vai embora logo. Vai tomar um café.” Então eu pedi prum guri que ele fosse chamar o motorista pra tomar junto. Depois de algum tempo, voltou o menino e disse em alemão: “Der Kell wet net wach”. Quer dizer: “O cara não acorda”. Será que o desgraçado morreu”, eu pensei. E fui até o auto. Tive que sacudir o José até que ele, finalmente, acordou. Tomamos o café e voltamos. Realmente, naquele tempo era muito difícil fazer medicina.

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