Doutor Cassel e Maria das Mercês: companheira de uma vida inteira Arquivo/FN

“Eu sou um cara que nunca gostou da política. Eu não queria gostar. Tinha por princípio não me meter na política. Na revolução de 1923, quando eu era ainda um menino de 12, 13 anos, os meus familiares eram maragatos e sofreram bastante. Os meus irmãos mais velhos tiveram de ir para a revolução. Houveram perseguições contra a nossa família e eu me revoltei muito com essa coisa toda. Por isso não queria saber da política. Eu vivia aqui no Caí muito bem, sem me envolver com essas coisas.

Só tive problemas por causa da guerra, quando eu e o doutor Olavo Leão defendíamos os colonos alemães contra as perseguições de algumas autoridades arbitrárias. Passamos por situações bem desagradáveis por causa disso. Mas depois, com o fim da guerra e da ditadura, em 45, surgiram os novos partidos. O Getúlio fundou primeiro o PSD, depois o PTB.

Um dia o Valter Jobim chegou na minha casa, a mesma em que, hoje, o doutor Bernardo tem o seu consultório (casa situada na esquina das ruas Marechal Floriano e Coronel Paulino Teixeira, onde hoje exite um novo prédio alugado à Igreja Universal do Reino de Deus). Ele era muito amigo da minha família e um dos principais líderes do PSD no estado (e veio a ser o governador, entre 1947 e 1951). E eu devia favores a ele.

Ele veio junto com o doutor Oscar Carneiro da Fontoura e me falou o seguinte:
“Olha, Cassel, eu não conheço ninguém aqui no Caí. Eu vou te deixar essa papelama porque tu tens conhecidos na cidade e nós precisamos fundar o PSD local. Eu não tenho tempo pra fazer isso. Tu vais ter que te virar e fazer isso pra nós.”
Eu tentei cair fora: “Mas Valter, eu não entendo nada desse negócio”.
“Não interessa”, ele disse. “Nós não temos tempo pra fazer isso. Te vira.” E foram embora.
Então eu fiquei com aqueles papéis e pensei: “O que que eu vou fazer com isso?” Fui falar com o Aloísio Fortes e ele decidiu encaminhar o negócio. Fizeram reuniões e acabaram fundando o PSD caiense.”

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