A comunidade caiense ergueu um busto em homenagem ao prefeito e médico que tanto fez pelo município e pelo seu povo Arquivo/FN

“Meu plano era ir para Jaguari, que fica perto de Santa Maria. Tinha um amigo meu que havia me convidado a ir pra lá.

Mas, então, um médico que havia sido meu professor e trabalhava na Santa Casa de Porto Alegre teve de viajar para Uruguaiana. Sua sogra estava lá, muito doente. Ele, então, me pediu que ficasse na Santa Casa, atendendo a enfermaria. E eu fiquei. Daí, a Irmã Francisca, freira que me conhecia desde os tempos de Santa Maria, me falou: “Tu não sai cedo hoje, que vão vir aí uns alemães te buscar. Eles querem te levar pra São Sebastião do Caí.” Eu até brinquei com ela: “Mas onde é que fica isso?”

A irmã havia me recomendado muito bem. Disse que eu operava, que falava alemão. E eles, de fato, foram até a Santa Casa falar comigo. Foi o seu Both, o Petry e o Doutor Krekel. Eles me prensaram de tal maneira que me trouxeram naquele mesmo dia. Ali no Morro do Pica-pau nós atolamos. Se levava, naquela época, para vir de São Lopoldo até aqui, quatro horas de viagem.

Chegando aqui, eu gostei do lugarzinho. O hospital era bem novo. Tinha sido inaugurado em 1937. Estávamos, então, em fins de fevereiro de 1938. Então eu disse: “Olha, eu vou em casa, vou saber da minha senhora. Se ela gostar daqui, eu venho”. No outro domingo, eu voltei com a minha mulher. Ela gostou muito daqui do Caí. Em fins de março, nós nos mudamos e ficamos até hoje.

O empenho da comunidade em trazer um novo médico para a cidade se devia a que o doutor Krekel tinha problemas aqui e resolveu voltar para a Alemanha. E, além dele, o único médico que tinha na cidade era o Doutor Hunsche, que era uma grande pessoa. Ele tinha um hospitalzinho, lá perto do rio, em frente à Fábrica de Escovas. Tinha ainda o doutor Hongraff, que não era médico formado. Naquele tempo tinha liberdade profissional.

Podia-se, até, comprar um diploma. Mas ele ficou pouco tempo por aqui. Ficamos eu e o Doutor Hunsche, que era velhnho e teve problemas na época da guerra.”

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