Os imigrantes que chegaram pelas décadas de 1820 a 1840, já não encontraram terras nas margens do rio Caí e tiveram de se estabelecer mais para o interior Reprodução/Internet

Até as primeiras décadas do século XIX as serras em torno do atual município de Salvador do Sul eram cobertas de mata virgem. A presença humana era pequena. Apenas os índios viviam pela região, de forma nômade, perambulando em bandos, colhendo os frutos das matas, caçando e pescando; abrigando-se em cavernas. Os homens brancos evitavam passar por estas terras porque o terreno íngreme e a mata fechada representavam grandes obstáculos e perigos. Os primeiros riograndenses preferiram se estabelecer nas regiões planas e cobertas de campos, onde era mais fácil a comunicação e o transporte a cavalo ou por carreta de boi. A navegação pelos rios era o melhor meio de transportes da época. Mas ela era praticamente impossível nos encachoeirados arroios da região serrana.

Foi pelas margens do rio Caí que começou a colonização da região. Ali se estabeleceram os primeiros moradores fixos, já no final do século XVIII. Estes primeiros colonizadores eram lusos e, inicialmente, ganhavam terras do governo que se interessava em ver habitada esta região deserta. A preferência destes pioneiros era, também, pelas terras onde havia campo. Mesmo que fosse um campo pequeno, cercado pela mata, tipo de terreno que era conhecido, naquela época, pelo nome de campestre. Estes lugares foram povoados primeiro. A mata só foi sendo conquistada aos poucos, com o duro tralho que era desmatar com as ferramentas da época.

Os irmãos João e José Ignácio Teixeira, destacados empresários portoalegrenses dos ramos do comércio e navegação, compraram em 1801 a extensa Fazenda do Pareci, que incluia terras pertencentes hoje aos municípios de Pareci Novo, Harmonia e Tupandi. Mais tarde eles desenvolveram a exploração da madeira, usando para isto o trabalho de muitos escravos. Esta exploração deu-se, principalmente, nas localidades de São Benedito e Linha Bonita Baixa.

Os que chegaram um pouco depois, pelas décadas de 1820 a 1840, já não encontraram terras nas margens do rio Caí e tiveram de se estabelecer mais para o interior. Os primeiros ainda ganharam terras. Os que chegaram um pouco depois tiveram de comprá-las. Entre estes primeiros colonizadores destacam-se Salvador Alves da Rosa, que nasceu nos Campos de Cima da Serra (São Francisco de Paula) e, em 1810, mudou-se para Capela de Santana. Em 1823 ele teve reconhecida pelo governo a posse de uma área de 272 hectares junto ao arroio conhecido então como Pinhalzinho, possivelmente o atual arroio Santa Rita, afluente do arroio Salvador. Salvador da Rosa vivia da fabricação de gamelas e canoas, feitas da madeira que extraía das matas que cobriam a sua propriedade. O arroio que Salvador usava para se deslocar até o rio Caí ganhou o seu nome, assim como a localidade que surgiu depois nas suas margens (São Salvador, depois Natal e hoje Tupandi).

Um pouco mais tarde, pelo ano de 1832, os irmãos João Honoré e Augusto Brochier se estabeleceram no local onde hoje se situa a cidade de Brochier. Dedicaram-se à extração de madeira das araucárias que ainda existiam em abundância na região. O que possibilitou o transporte da madeira para Porto Alegre, onde ela podia ser vendida a bom preço, foi a navegação pelo rio Caí e pelo arroio Maratá (que na época era razoavelmente navegável até onde hoje existe a cidade de Maratá)

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