Até a metade do século XIX, Francisco Veloso e Tertuliano Pereira (com suas respectivas famílias) eram os únicos moradores de todo o Vale do Forromeco Reprodução/Internet

O nome do Forromeco – que foi, na verdade, o primeiro principiense – era Francisco José Veloso, mas ele tornou-se conhecido na região pelo apelido de Ferromeco. Nome que, com o tempo, passou a designar também o arroio no qual ele navegava constantemente. Em documentos bem antigos, encontra-se o nome do arroio grafado como Ferro-meco.
Este apelido sugere ter sido ele uma pessoa não muito apreciada, pois no português antigo as palavras ferro e meco significavam respectivamente “pessoa de ânimo intransigente, inveja, ciúme, despeito, zanga, amuo, arrelia” e “libertino, espertalhão, atrevido”.

Segundo o historiador Ruben Neis, a partir de 1822, um outro canoeiro luso chamado Tertuliano Antônio Pereira também se estabeleceu junto ao arroio Forromeco. Afirma Neis que Francisco Veloso (o Ferro-meco) era dono das terras da margem direita do arroio ao sul do arroio Tamandaré (que passa pela atual localidade de Santa Terezinha). As terras ao norte do arroio Tamandaré pertenciam a Tertuliano Antônio Pereira. Na década de 1870, tanto herdeiros de Francisco como de Tertuliano ainda detinham áreas de terra nas imediações da atual Santa Terezinha.

Até um pouco antes da metade do século XIX, Francisco Veloso e Tertuliano Pereira (com suas respectivas famílias) eram, pelo que se sabe, os únicos moradores de todo o Vale do Forromeco. A razão deste fraco povoamento foi o temor que inspirava a mata fechada, pela qual perambulavam os grupos de índios selvagens e as onças ferozes. Os rio-grandenses daquela época preferiam estabelecer-se nas regiões de campo, onde era mais fácil desenvolver a agricultura e, principalmente, a criação de gado.

Tanto o Ferromeco como Tertuliano não eram verdadeiros colonos, pois eles não se dedicavam intensivamente à agricultura. Viviam da caça, da pesca e vendiam artigos extraídos da floresta, como as peles de animais. Mantinham também, certamente, relações comerciais com os índios, trocando produtos característicos do mundo civilizado (como facas, sal, espelhos e adereços) por produtos que os índios extraíam da selva (como peles de animais e mel silvestre). Os produtos obtidos com os índios nestas trocas eram vendidos por Ferromeco e Tertuliano ao povo da cidade.

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