Ao chegarem à região, colonos se estabeleceram em picadas – CRÉDITOS: Acervo Museu Visconde de São Leopoldo

No início do século XIX alguns pioneiros desbravadores de origem portuguesa trabalharam na região, perto das margens dos rios. Eles se dedicavam à extração de madeira que era usada em construções, principalmente na cidade de Porto Alegre. A madeira era levada até Porto Alegre flutuando nas águas do rio Caí. Mas, assim como os índios, estas pessoas também levavam uma vida nômade, cortando as árvores de madeiras nobres, mais apreciadas para a construção civil. Depois de esgotar as que haviam num lugar, mudavam-se para outro onde elas eram abundantes.

A área da atual cidade de Bom Princípio deve ter sido particularmente rica em madeira de boa qualidade, pois o lugar foi conhecido, na década anterior a 1850, pelo nome de Serrarias. Naturalmente, ali deve ter havido uma certa abundância de serrarias, ou seja, de atividade dos madeireiros. Não se pense, porém, em serrarias bem instaladas, como as conhecemos hoje. As daquela época deviam ser instalações rústicas, implantadas no meio da mata e perto do rio, para serem usadas por pouco tempo.

A partir de 1820 passou a viver, junto ao arroio Forromeco, um morador pioneiro que acabou por tornar-se proprietário de uma grande área de terras no local onde hoje situa-se a localidade de Santa Terezinha (no município de Bom Princípio). Este sim, fixou residência no lugar e ali permaneceu, com sua família. Apesar de ser dono de vasta propriedade, ele vivia muito modestamente, da caça e da pesca e de uma lavoura rudimentar. Era um hábil canoeiro e utilizava-se desta habilidade para fazer do arroio Forromeco a estrada natural para os seus deslocamentos. Homens como este sabiam conviver com os índios, fazendo negócios com eles.

O nome deste pioneiro – que foi, na verdade, o primeiro principiense – era Francisco José Veloso, mas ele tornou-se conhecido na região pelo apelido de Ferromeco. Nome que, com o tempo, passou a designar também o arroio no qual ele navegava constantemente. Em documentos bem antigos, encontra-se o nome do arroio grafado como Ferro-meco.

Este apelido sugere ter sido ele uma pessoa não muito apreciada, pois no português antigo as palavras ferro e meco significavam respectivamente “pessoa de ânimo intransigente, inveja, ciúme, despeito, zanga, amuo, arrelia” e “libertino, espertalhão, atrevido”.

Segundo o historiador Ruben Neis, a partir de 1822, um outro canoeiro luso chamado Tertuliano Antônio Pereira também se estabaleceu junto ao arroio Forromeco. Afirma Neis que Francisco Veloso (o Ferro-meco) era dono das terras da margem direita do arroio ao sul do arroio Tamandaré (que passa pela atual localidade de Santa Terezinha). As terras ao norte do arroio Tamandaré pertenciam a Tertuliano Antônio Pereira. Na década de 1870, tanto herdeiros de Francisco como de Tertuliano ainda detinham áreas de terra nas imediações da atual Santa Terezinha.

Até um pouco antes da metade do século XIX, Francisco Veloso e Tertuliano Pereira (com suas respectivas famílias) eram, pelo que se sabe, os únicos moradores de todo o Vale do Forromeco. A razão deste fraco povoamento foi o temor que inspirava a mata fechada, pela qual perambulavam os grupos de índios selvagens e as onças ferozes. Os rio-grandenses daquela época preferiam estabelecer-se nas regiões de campo, onde era mais fácil desenvolver a agricultura e, principalmente, a criação de gado.

Tanto o Ferromeco como Tertuliano não eram verdadeiros colonos, pois eles não se dedicavam intensivamente à agricultura. Viviam da caça, da pesca e vendiam artigos extraídos da floresta, como as peles de animais. Mantinham também, certamente, relações comerciais com os índios, trocando produtos característicos do mundo civilizado (como facas, sal, espelhos e adereços) por produtos que os índios extraíam da selva (como peles de animais e mel silvestre). Os produtos obtidos com os índios nestas trocas eram vendidos por Ferromeco e Tertuliano ao povo da cidade.

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