Desde 1935, a Cooperativa contribui para o progresso de Harmonia e dos seus associados

Conforme descreve o padre Bruno Metzen no seu livro sobre Harmonia, “na década de 1930 a produção agropecuária se desenvolveu bem em Harmonia e arredores. Principalmente a suinocultura. Os colonos criavam e produziam, mas era preciso vender o fruto do seu trabalho. Levavam, então, a produção de suínos ao Frigorífico Renner de Montenegro. O transporte era primitivo e difícil. Dispunham de carroças puxadas por seis ou oito burros. A estrada era pouco transitável e cada viagem durava quase dois dias. A compensação era pequena.”

A solução para o problema dos colonos surgiu a partir de uma ideia lançada pelo professor Siegfried Kniest. Ele era funcionário da Sociedade União Popular, uma entidade de origem religiosa (católica) que visava promover o desenvolvimento da região colonial alemã. Funcionários desta organização (também conhecida pelo nome alemão Volksverein) percorriam as comunidades viajando a cavalo ou de burro. Visitavam os colonos dando orientações técnicas sobre agricultura e pecuária e procuravam uni-los em torno de objetivos como a melhoria da educação e saúde. O professor Siegfried era um destes funcionários da União Popular e Harmonia era uma das comunidades que lhe cabia assistir. Sabendo do problema dos produtores de suínos na localidade, ele propôs que fosse constituída uma cooperativa ou uma empresa para promover o abate dos suínos na própria localidade.

A Cooperativa deu início a partir da união de 38 produtores rurais em 29 de julho de 1935.
Arquivo: Cooperativa Ouro do Sul

A ideia agradou aos colonos e, após algumas reuniões preparatórias, 38 produtores locais se reuniram no dia 29 de julho de 1935 numa assembléia na qual foi decidida a criação da Cooperativa de Produtos Suínos do Alto Caí. A reunião aconteceu no salão de Jacó Fridolino Fink. Desde então, a Cooperativa de Harmonia (como ficou mais conhecida popularmente), se constituiu na principal empresa da localidade. Posição que ainda mantém até hoje.

Comunidade progressista

Com o surgimento da igreja, da escola, do armazém e salão de bailes e, por fim, da Cooperativa, Harmonia foi se desenvolvendo lentamente. Sofreu por décadas o problema da precariedade da estrada que ligava a vila à sede municipal de Montenegro e ao Caí, cidade mais próxima. Só no ano de 2001 o problema foi resolvido com o asfaltamento da rodovia até o Caí.

Antes disto, porém, Harmonia chegou à conquista da sua emancipação. Depois de uma tentativa frustrada ocorrida no ano de 1981, o movimento pela emancipação conseguiu deslanchar no ano de 1985. No dia 22 de setembro deste ano, numa reunião de mais de 100 eleitores realizada no Colégio Sagrado Coração de Jesus, foi eleita a comissão incumbida de comandar o processo de emancipação. Presidida pelo professor Augusto João Gewehr, a comissão obteve êxito no seu intento, apesar das muitas dificuldades enfrentadas. No dia 20 de setembro de 1987 aconteceu o plebiscito no qual a população local manifestou o seu desejo de que o município fosse criado. Dos 1879 eleitores inscritos, 1581 compareceram para votar e, destes, 1.496 votaram SIM. Apenas 67 optaram pelo NÃO.

A lei n° 8.562, assinada em 13 de abril de 1988 pelo governador Pedro Simon criou oficialmente o município. No ano seguinte foi realizada a primeira eleição municipal da qual Edgar Roberto Fink saiu vitorioso com 826 votos. O líder emancipacionista Augusto João Gewehr recebeu 730 votos e Dario Afonso Coling 361.

A partir de então, Harmonia desenvolveu-se de forma notável sendo hoje uma cidade e município bem estruturados e com amplas condições de chegar a uma estágio invejável de desenvolvimento social e econômico.

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