Carlos Henrique Oderich está sepultado no Caí, ao lado de sua esposa, que faleceu aos 104 anos Arquivo/FN

Em 1899, com a morte de Carlos Trein, Adolph Oderich decidiu romper a sociedade com o herdeiro de seu sócio, ficando com a fábrica de banha e deixando o comércio para ele. A empresa chamou-se Adolph Oderich & Cia e dedicava-se ao refino de banha. Ele já tinha em mente o projeto de começar uma fábrica de conservas enlatadas de carnes. Pode se imaginar o que acontecia na época. Do porco que era sacrificado no abatedouro, aproveitava-se muito bem a banha, que podia ser transportada em navios ou carretas, conservando-se por longo tempo. A carne, entretanto, não resistia ao transporte não frigorificado e sobrava na região produtora, tendo pouquíssimo valor.

Com isto, se alguém conseguisse tratar esta carne barata de modo a conseguir vendê-la em mercados distantes, faria excelente negócio. Para se ter uma ideia das dificuldades de transporte na época, basta dizer que as mercadorias que Adolph Oderich vendia em Santo Ângelo no seu tempo de caixeiro viajante levavam dois meses para serem transportadas, em carroças, de Porto Alegre até aquela cidade.

Assim, no ano de 1903, foi feita uma primeira tentativa de produção de carnes de porco e de galinha em latas, aproveitando os conhecimentos técnicos da fabricação de banha, que já era comercializada em latas. Uma nova empresa chegou a ser criada para esta finalidade, com o nome de Viúva Carlos Trein & Cia, mas ela foi extinta no ano seguinte devido às dificuldades encontradas no modo de produção.

Nesta primeira tentativa, usou-se a técnica de um certo senhor Weber, que era bastante rudimentar e acabou se mostrando ineficiente. O que se fazia era transformar a carne de porco em linguiça e colocá-la dentro de uma lata envolta em banha. A lata era, então, fechada e a tampa soldada. Mas a técnica não se mostrou adequada. A carne, conservada deste modo, não durava muito tempo. Felizmente os negócios de Adolph Oderich não dependiam disto para prosperar. A produção e a venda de banha desenvolvia-se muito bem, com o seu produto sendo aceito internacionalmente. O produto era vendido com a marca Sol, pois Adolph Oderich tinha como seu lema pessoal a frase “o sol nasce para todos”.

A Fundação

Por insistência da esposa, Adolph Oderich acabou por mandar o seu filho mais velho, Carlos Henrique, estudar química na Alemanha. O objetivo era adquirir conhecimentos sobre técnicas de conservação de alimentos, que estavam sendo desenvolvidos naquela época, de forma pioneira, na cidade Lübeck.

O jovem Carlos Henrique embarcou com destino àquela cidade alemã e, em 1908, depois de estudar em escolas técnicas em Lübeck e em Wiesbaden, retornou trazendo consigo o conhecimento das mais modernas técnicas de conservação de carnes. Técnicas que só eram dominadas, naquela época, por algumas empresas alemãs e norte-americanas. No mesmo ano foi fundada, no Caí, a firma C. H.. Oderich & Cia, momento que se considera o da criação da empresa Oderich. Ela já começou relativamente grande, com o capital de 150 contos de réis, mas demorou ainda algum tempo para começar a produzir. Para isto foi erguido um prédio adequado e instaladas as máquinas. No dia 22 de maio de 1909 foram abatidos os primeiros bois (oito) e no dia 14 de junho foram sacrificados os primeiros porcos (51). A firma também enlatava, desde o início, a carne de galinha e era a única empresa da América do Sul que dominava a técnica de produção de carnes enlatadas. Uma das primeiras do mundo.

Graças a esta exclusividade, o sucesso da nova indústria foi rápido. Em poucos anos ela já havia conquistado mercados por todo o Brasil e até em países estrangeiros.

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