A Revolução Farroupilha manchou de sangue toda a província e não foi diferente na nossa região Reprodução/Internet

A Revolução Farroupilha manchou de sangue toda a província e não foi diferente na nossa região, como narra o historiador Antônio Carlos Fernandes Rosa no seu magnífico estudo contido na obra Montenegro de Ontem e de Hoje:

O Capitão Antônio Machado de Souza, conforme narra seu neto, o historiador Antônio Carlos Fernandes Rosa, “pertencia à coluna do bravo farrapo João Antônio da Silveira (Coronel João Antônio da Silveira) que, como Bento Gonçalves e muitos outros, deu tudo de si pela causa da revolução. Inclusive a saúde e a fortuna, pois ambos morreram empobrecidos.

Antônio Machado de Souza, o Capitão Machadinho foi incumbido por João Antônio (então acampado em Triunfo) de se dirigir até as proximidades de São Leopoldo com um piquete de reconhecimento.

O objetivo era observar e colher informações sobre o movimento do batalhão de 400 homens comandados pelo Coronel João Daniel Hillebrandt. Devia ir com muito cuidado, para não ser pressentido e cumprir sua missão com o possível sigilo, em segredo.

O Capitão Machadinho seguiu para São Leopoldo. Depois de passar o rio Caí sem ser visto e cruzar Capela de Santana e os altos do Rincão do Cascalho, descia para a várzea do Arroio Portão, quando teve de penetrar numa densa cerração. Um nevoeiro tão intenso que tornava as coisas invisíveis a uma distância curta (esses nevoeiros até hoje se verificam ali, em certas manhãs muito úmidas).

Acontece, então, o imprevisto e indesejado: o Capitão Machado quase se pecha com um piquete alemão por um tal de capitão, ou major, Kersting ou Kerst. Um militar que fora oficial de carreira na Alemanha e viera para o Brasil não como colono, mas como mercenário trazido por Dom Pedro I, como muitos outros, para combater os argentinos, o qual servia, na ocasião, no corpo comandado pelo Coronel Hillebrandt.

Como a missão não era de luta e como os farrapos não odiavam os alemães, que no princípio tinham sido até seus partidários, o Capitão Machado mandou que seus comandados se mantivessem onde estavam e dirigiu-se sozinho ao comandante alemão. Pretendia parlamentar e evitar um choque.

O alemão, porém, não tinha a mesma disposição e, arrancando rapidamente a sua pistola, alvejou Machado com dois tiros, que não atingiram o alvo porque Machado esporeou o cavalo antes que a pontaria do alemão pudesse ser feita com precisão. Machado revida pela mesma maneira, alvejando o adversário com dois tiros de sua pistola. Mas esse também se esquiva. Atiram-se, então, os dois no e se empenham em luta a espada, posto que as pistolas estavam descarregadas.”

Duelo de bravos
“O Capitão Machado era um grande espadachim. Mestre no manejo da arma branca. E, com seus 30 anos, era homem vigoroso e ágil. Mas não lhe ficava atrás, o alemão, quanto à perícia no manejo da arma branca. Se ele tinha, ao que parece, a desvantagem de ser mais velho um pouco, era ambidestro, manejando a espada com a mesma facilidade, tanto com a mão esquerda como com a direita. Machado só sabia usar a mão direita.
Muitos minutos durou o duelo, ao mesmo tempo em que os companheiros do farrapo investiam contra os alemães, generalizando-se a luta. Os últimos, entretanto, embora em maior número, eram colonos bisonhos, na sua maior parte sem preparo militar, e levaram desvantagem. Aos poucos, depois da ocorrência de baixas de ambos os lados, os alemãos foram retirando-se, perseguidos, enquanto Machado e Kersting (ou Kerst) lutavam desesperadamente, sem conseguir – nenhum dos dois – atingir o contendor. Eram dois mestres da espada.

Mas, por fim Machado consegue atingir o alemão com um golpe profundo num dos supercílios. Ferimento que começou a sangrar muito. Apesar disso, a luta continuou com o oficial alemão passando de uma para outra mão a espada, sempre que cansava o punho mantinha a espada, e limpando o sangue com a mão desocupada para destapar-lhe o olho por sobre o qual corria.

Ambos muito cansados, já quase exaustos, aconteceu então que a hemorragia fez a diferença, derrubando o alemão enfraquecido e sem fôlego.

Machado, que não pretendia mais – de nenhuma forma – matar o seu valoroso contendor vencido, mas socorrê-lo e prendê-lo, ficou algum tempo a seu lado para recuperar a respiração, em estado de quase exaustão. Nesse momento, infelizmente, um seu companheiro, que voltava da perseguição ao piquete alemão, sem aviso e sem que Machado tivesse tempo de evitar, mata Kersting com um tiro de pistola na cabeça. “

Nota: O oficial alemão referido no texto deve ser o Capitão Samuel Gottfried Kerst, contratado pelo império brasileiro para o Imperial Corpo de Engenheiros, segundo consta na obra Estrangeiros e Descendentes na História Militar do Rio Grande do Sul, de Cláudio Moreira Pinto.

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