O trabalho com o gado é algo envolvente. O tropeio montado a cavalo, a gineteada, o rodeio. Há quem diga que o gaúcho dá mais valor a um bom cavalo do que a uma boa mulher. O trato do gado é a vida do fazendeiro. Ele a tal ponto se apega a essa lida que dificilmente se dispõe a abandonar a lida do campo para empregar a terra numa outra atividade, como a agricultura. Quem convive com um cachorro entende que o animal é como gente. E o cavalo, assim como o cachorro, pode se transformar no melhor amigo de seu dono. Ou seria melhor dizer parceiro?

Me contaram como fato que, certa vez, um fazendeiro foi pedir a outro a mão da filha em casamento. O pai da moça, homem decente, sentiu-se no dever de fazer uma advertência ao pretendente:

– Olha aqui, Libório. Da minha parte, eu não faço objeção nenhuma. Podes casar com a Aninha. Mas tem um porém. A minha filha não é completamente normal. É coisa pouca, quase não se nota, mas eu faço questão que tu fique sabendo antes, pra depois não vir com reclamação. Ela tem uma perna um pouco mais curta do que a outra.

Seu Libório vacilou um pouco. Ficou pensativo, mas finalmente falou:
– Não tem problema, Coronel. Eu não quero pra corrida. É só pra tirar umas crias.

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