O pirão era a base da alimentação em um época de poucos recursos na colônia Reprodução/Internet

A farinha de mandioca foi, até meados do século XX, um dos produtos mais importantes da economia regional. Por todo o interior, eram muito comuns as atafonas, pequenas oficinas nas quais a mandioca era processada, produzindo-se a farinha, o polvilho e o biju. Este último um doce muito gostoso.

O polvilho era (e ainda é) utilizado para fazer roscas, broas e – até mesmo – para preparar a goma com que se engomavam as roupas. A farinha de mandioca é um alimento que vai bem no feijão, acompanhando um churrasco de carne gorda e na forma de farofa. Ou seja, frita na gordura.

Antigamente, quando os meninos tinham o péssimo costume de caçar passarinho com fundas, suas mães preparavam as aves (geralmente pequenas) com farofa, para fazer o prato render e ficar mais gostoso.

E é com a farinha de mandioca que se fazia, também, o pirão. Alimento que foi, na infância, a base da alimentação de muita gente que ainda vive por aí.
Pirão é a mistura de farinha de mandioca com água. O que, segundo dizem, pode ser bem gostoso se for feito, por exemplo, com a água sobrada da fervura da linguiça.

Contam que, antigamente, havia um homem muito brabo, cujo apelido era Pirão. Mas, na sua frente, ninguém podia tratá-lo pelo apelido. O homem virava bicho e, no mínimo, o que acontecia era o insolente levar um corridão.
Um dia dois espertinhos se combinaram:
– Vamos chamar o Pirão pelo apelido, sem que ele possa ficar brabo.
Chegaram os dois até perto do homem e um deles falou:
– Farinha.
E o outro completou:
– Água.
O valentão puxou o facão da cintura e gritou para os gaiatos:
– Mistura, se vocês são bem home.

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