Quando o Brasil entrou na guerra contra a Alemanha, muitos receptores foram apreendidos nas casas dos colonos, sendo esses acusados de estar ouvindo propaganda do inimigo. Arquivo/FN

Em meados de 1930, o rádio começava a chegar à zona colonial.

A Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, e depois a Rádio Farroupilha, eram captados pelos primeiros receptores e galenas instalados no interior.

A existência de um número bem menor de estações possibilitava a fácil recepção de emissoras do Rio e de São Paulo, já que não havia muita interferência de outras emissoras. As rádios Nacional e Tupi eram as mais ouvidas, mas na região colonial as emissoras estrangeiras também tinham muita audiência. Inclusive as alemãs que, à época, traziam até a nossa colônia intensa propaganda nazista. Quando o Brasil entrou na guerra contra a Alemanha, muitos receptores foram apreendidos nas casas dos colonos, sendo esses acusados de estar ouvindo propaganda do inimigo.

Na época em que chegaram os primeiros receptores, existia abastecimento de energia nas cidades, onde operavam pequenas usinas termoelétricas. No interior, entretanto, ela não existia. Quem desejava ter o seu receptor de rádio precisava valer-se de uma bateria de automóvel e, de vez em quando, tinha de recarregá-la numa oficina da cidade. Apesar do alto custo do aparelho e de incômodos como esse, muitos colonos compravam os seus rádios. A novidade, uma caixa que fala, causava grande impacto na época e possuí-la era símbolo de status.

Conta-se que, certa vez, um desses pioneiros foi à cidade para recarregar a bateria do seu rádio recém adquirido. Acontece que, naquela época, era divulgada muita propaganda do analgésico Melhoral. E o colono já estava saturado com tanta repetição.

Falando ao mecânico encarregado de recarregar sua bateria, ele disse:
– Escuta, seu Alfredo. Será que o senhor não podia, dessa vez, botar um pouco menos de Melhoral?

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