O primeiro médico de São Leopoldo (foto) foi o doutor João Daniel Hillebrand, um alemão formado em 1823, pela universidade Göttingen. Ele viveu até o ano de 1880 sendo, por muito tempo, o único ou um dos poucos médicos da colônia alemã no estado Foto do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo

Já em 1825, quando ainda se iniciava a colonização alemã no Rio Grande do Sul, chegou a São Leopoldo o primeiro médico. Era o doutor João Daniel Hillebrand, um jovem alemão formado em 1823, pela universidade Göttingen. Viveu até o ano de 1880 sendo, por muito tempo, o único ou um dos poucos médicos da colônia alemã no estado.

Nestas condições, é claro, não poderia dedicar-se a uma clínica especializada. Obrigou-se, pelo contrário, a desenvolver uma extrema versatilidade. Além de cuidar de toda espécie de doença física, foi também psiquiatra e, fora da medicina, diretor da colônia e chefe militar. Isto sem contar as atividades que desenvolvia como hobbys, como os estudos de botânica e zoologia.

Como psiquiatra, foi chamado a atender a jovem Jacobina Mentz que, segundo afirmou o seu cunhado João Jorge Klein, “jazia muitas vezes sem sentidos, abaixo de convulsões, pronunciando palavras sem nexo”. O doutor Hillebrand aconselhou aos pais de Jacobina que procurassem – o quanto antes – um casamento para a mocinha. O que, no entanto, parece não ter sido uma boa prescrição. Depois de casada, a jovem continuou a cometer desatinos e, como líder espiritual dos mucker, levou seus amigos e vizinhos a uma desgraça de grandes proporções: a Guerra dos Mucker.

A precariedade da atividade médica na colônia àquela época, levava a população a valer-se dos serviços de pessoas menos habilitadas, como João Jorge Maurer. Este, que era marido de Jacobina, era curandeiro e receitava ao povo chás feitos de ervas colhidas na própria região. Para os colonos pobres (o que não era o caso da família de Jacobina), esse tipo de medicação era o único acessível.

Também os farmacêuticos atendiam à população em lugar dos médicos caros e, muitas vezes, distantes. As farmácias das vilas interioranas, ainda no princípio do século XX, funcionavam na parte frontal da mesma casa em que residia o farmacêutico.

Conta-se que, certa vez, um homem foi acometido de forte infecção na garganta, a qual o deixou quase completamente afônico. À noite, quando o mal se agravou, o homem resolveu ir até a farmácia para solicitar ao farmacêutico, seu vizinho e amigo, que lhe receitasse alguma coisa.

A farmácia estava fechada àquelas horas e o homem, então, chegou pelos fundos e bateu palmas para chamar os moradores. Logo abriu-se uma janela e apareceu a mulher do farmacêutico. Com muito esforço o homem conseguiu balbuciar:
– O Felipe está em casa?
Felipe, é claro, era o nome do farmacêutico. Mas a mulher não conseguiu ouvir direito a pergunta do vizinho.
– O quê? – perguntou ela.
– O Felipe está em casa? repetiu o homem, fazendo um enorme esforço para que sua voz fosse um pouco mais audível. Mesmo assim, o que a mulher ouvia não passava de um sussurro. Mas ela conseguiu entender, finalmente, e respondeu:
– Não está, não. Pode entrar.

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