Jacob Klein e Amália Klein, com os filhos: de pé, Wilibaldo, Amália (Môcia) Müller e Edmundo; sentados, Elsa Liesenfeld, Ana Adelina Zimmer, Maria Amália Klein (nascida Vogel), Ivo Klein, Jacob Thomas Klein, Maria Clementina Klein (falecida aos 26 anos, em 1940) Arquivo FN

Tomar chimarrão é um hábito de origem indígena que foi assimilado pelos colonizadores portugueses instalados no Rio Grande do Sul. A cuia, feita de um porongo, e a bomba, teoricamente feita de prata com ponteira de ouro, tornaram-se verdadeiros símbolos do Rio Grande do Sul. A colônia alemã estabelecida no estado, diferia em muito da população luso-brasileira. Enquanto os lusos se dedicavam principalmente à criação de gado, nas regiões de campo, os alemães se instalaram nas regiões de mata, dedicando-se à agricultura e à indústria. Mesmo assim, os alemães adotaram rápida e entusiasticamente o costume do chimarrão. E mantiveram sua fidelidade a ele mesmo quando se transferiram do meio rural para o urbano. Não há, em São Leopoldo ou Novo Hamburgo, um mercado no qual não se encontre à venda os tradicionais pacotes de erva.

Tomar chimarrão pode ser um hábito solitário, mas o mais comum é que se reúna a família e, eventualmente, as visitas para “sorver o mate”. Usa-se apenas uma cuia, que vai passando de mão em mão, tendo cada um dos componentes da roda o direito de esvaziar a água quente contida na cuia, puxando-a por um canudo de metal chamado de bomba. A água adquire um sabor amargo, proveniente da erva depositada dentro da cuia. O gosto, para falar a verdade, não é muito bom. Mas pode ser melhorado caso se coloque colherinhas de açúcar dentro da cuia. Neste caso, o chimarrão passa a ser denominado mate. Esta prática, entretanto, é mais apreciada pelas mulheres e crianças. Os homens preferem o mate amargo (sem açúcar).

Seria de se perguntar por que uma bebida como o chimarrão, de sabor amargo, é tão apreciada.

Pesquisas científicas têm revelado que o chá da erva mate é um alimento riquíssimo, extremamente saudável e revitalizante. Ele estimula o cérebro, reduz os efeitos da fadiga e reduz o apetite por alimentos. Faz bem para a pele (retardando o envelhecimento) e estimula até as funções sexuais. Quem toma chimarrão – mesmo sem saber de tudo isso – percebe que a bebida lhe faz bem e dificilmente larga o hábito.

Oferecer chimarrão aos visitantes é uma forma bem gaúcha de mostrar gentileza. Mas pode também causar um certo constrangimento. Afinal, não parece muito higiênico o costume de várias pessoas usarem a mesma bomba para compartilhar o chimarrão. Mas, até hoje, não foi identificado problema de saúde causado por este costume.

Mesmo assim, o chimarrão pode causar alguns pequenos problemas, inclusive no que diz respeito ao trato social.

Meu avô Jacob Klein, quando cortejava minha avó, Amália Vogel, foi visitar a família. Isto aconteceu pelos primeiros anos do século XX.

O pai da moça, Jacob Vogel, recebeu-o e o convidou para tomar um chimarrão. O futuro sogro, porém, era um tanto distraído e, depois de tomar o seu chimarrão, ao invés de entregar o próximo ao visitante, como manda o ritual, tomava-o também. E assim foi ele, tomando o chimarrão repetidas vezes, sem entregar a cuia ao futuro genro uma vez sequer. Por fim, quando a água já estava fria e a erva lavada, sem sabor, o velho Vogel perguntou ao moço:
– Agora é a sua vez ou a minha?
Ao que o meu avô respondeu:
– Parece que dessa vez sou eu.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Deixe um comentário
Please enter your name here