Por volta do ano 1900, as estradas da colônia já haviam melhorado e permitiam o uso de grandes carretas

Joseph Hörmeyer, que era alemão, escreveu um livro intitulado “O que Jorge Conta Sobre o Brasil”. Neste livro, editado em 1863, ele relatava suas observações sobre o Brasil e, entre elas, falou sobre a carreta nos seguintes termos:

“Uma carreta é uma espécie de arca de Noé sobre rodas. Essa arca gigantesca, onde se instalam camas e ainda podem ser conduzidas mercadorias e são albergadas famílias inteiras, repousa sobre uma pesada trave, em cujas extremidades estão fixados discos de madeira, que representam as rodas.”

O alemão Joseph Hörmeyer escreveu um livro relatando suas observações sobre o Brasil

Observe-se no comentário de Hörmeyer como ele considera a carroça brasileira um veículo rudimentar. O eixo é muito pesado e as rodas são apenas discos de madeira. Na Alemanha, as rodas já eram mais leves, feitas com raios e, por certo, dotadas de aros de ferro que lhes davam maior durabilidade. Na Alemanha, as carretas já se assemelhavam às carretas que hoje ainda existem na nossa região colonial. Mas as carretas descritas por Hörmeyer, usadas na época pelos brasileiros, eram bem mais rudimentares.

Veja-se mais ainda da sua descrição em “O que Jorge Conta sobre o Brasil”:
“Os discos não são bem redondos e a madeira tem a espessura de 5 a 6 polegadas (12 a 16 centímetros). O eixo gira com as rodas e nunca é lubrificado, de modo que o atrito gera um ruído intolerável, que se ouve e se reconhece a grande distância. Dizem os brasileiros, com toda a seriedade, que os bois deixariam de andar se abafasse o ruído do carro untando o eixo com sebo”.

Nota-se no texto, além da crítica à precariedade construtiva das carroças brasileiras, uma certa ironia quanto à preguiça do brasileiro, que deixava de lubrificar os eixos com a desculpa de que os bois gostavam do ruído provocado pelo atrito da madeira seca.
Conforme esclarece o historiador felizense professor Pedro Christ, o fato das rodas das carretas não serem bem redondas se devia ao fato da madeira da qual elas eram feitas não ser igualmente resistente. Tinha partes mais ou menos duras. Por isto o desgaste das rodas não se dava por igual e algumas partes da roda se desgastavam mais rapidamente que as outras, causando a deformidade na roda com o passar do tempo. O mesmo professor salienta que as carretas normalmente usadas na colônia alemã tinham capacidade para carregar uma tonelada. Mas as serrarias existentes no Vale do Caí no século XIX contavam com carretas mais reforçadas, capazes de transportar três toneladas, que eram usadas para o transporte dos pesados troncos extraídos da floresta até a serraria.

Observações sobre a foto desta postagem, cedida pelo Museu Histórico Vale do Cahy: Naquela época, por volta de 1900, a barragem ainda não havia sido construída. Não havia o cais. Carroças com os produtos das colônias alemãs e italianas percorriam longos caminhos para chegar ao porto do Caí.

Elas eram tracionadas por mulas e não por bois, como hoje. As rodas traseiras eram muito maiores do que as dianteiras. Algumas carroças eram mais largas na frente do que atrás, outras, pelo contrário, eram mais largas na parte traseira.

Deixe seu comentário