Publicado em 1975, o livro “O Biênio 1824/1825 da Imigração e Colonização Alemã no Rio Grande do Sul" abordava apenas a imigração ocorrida nos anos de 1824 e 1825

No dia 13 de março de 1986 morreu um dos homens mais admiráveis que já nasceram no Caí. Seu nome era Carlos Henrique Husche e ele era filho de uma família ilustre. Seu pai era o médico caiense Carl Friederich Hunsche. E foi seu avô o pastor Heinrisch Hunsche que, de Linha Nova, dava assistência aos evagélicos luteranos de todo o Vale do Caí.

Carlos Henrique Hunsche nasceu no Caí em 25 de julho de 1913, numa época em que a cidade ainda se destacava como uma das mais dinâmicas do estado pelo seu intenso comércio e indústria. O pai dele era dono de um pequeno hospital situado em frente ao cais do porto. Uma localização nobre, naquela época.

Quando jovem, a pedido do avô, Carlos Henrique foi estudar filosofia na Alemanha e estava lá quando ocorreu a segunda guerra mundial. Jovem ele deve ter se contaminado com os sonhos (ou delírios) grandiosos do nazismo e serviu ao regime de Adolf Hitler atuando como locutor dos programas de rádio que difundiam a propaganda nazista dirigida para o Brasil. Como o Brasil acabou entrando na guerra contra a Alemanha, o jovem Carlos passou a ser visto por alguns como um traidor da pátria. Uma situação tão delicada que, depois que terminou a guerra o caiense Carlos Henrique não pode voltar para o Brasil, indo radicar-se em Buenos Aires, onde dedicou-se à importação e ao comércio de produtos brasileiros. Somente em 1973, já com 60 anos, ele retornou ao Brasil e foi fixar-se em Gramado.

Obra Monumental

Logo se destacou como o mais brilhante pesquisador da imigração alemã no Rio Grande do Sul e começou a produção de uma obra fantástica: o levantamento de dados sobre todos os imigrantes que vieram para o Rio Grande do Sul no período inicial da colonização alemã: entre os anos 1824 e 1830.

Em 1975 foi publicada a primeira parte deste trabalho, num livro de 338 páginas que abordava apenas a imigração ocorrida nos anos de 1824 e 1825. Por isto, o nome da obra é “O Biênio 1824/1825 da Imigração e Colonização Alemã no Rio Grande do Sul”.

Em 1977 saiu publicada a segunda parte desta obra monumental, num volume de 642 páginas intitulado “O Ano 1826 da Imigração e Colonização Alemã no Rio Grande do Sul”. Mais uma vez uma obra estupenda, realizada com primor técnico incomparável, totalmente fora dos padrões culturais brasileiros. Um verdadeiro tesouro para o futuro das pesquisas a respeito da imigração alemã.

Faltava ainda escrever sobre os anos de 1827 a 1830. Carlos Henrique trabalhava firme e persistentemente para isto, mas a obra era monumental e o trabalho feito solitariamente por ele desenvolvia-se de maneira lenta.

Morte Súbita

Então aconteceu uma desgraça que poderia ter conseqüências desastrosas para a cultura rio-grandense. No dia 13 de março de 1986 Carlos Henrique encontrava-se em viagem pela Europa quando morreu, vitimado por um fulminante ataque cardíaco. Ele tinha apanas 72 anos.

Com isto, corria o risco de ficar incompleta a sua obra, com um imensurável prejuízo para a cultura de nosso estado. A obra já estava com o seu conteúdo elaborado, mas ainda faltava fazer a revisão, o acabamento final.

Felizmente, a esposa de Carlos Henrique, Maria Astolfi, sua companheira nos últimos dez anos de vida, guardou os arquivos e os escritos do marido e, diante da sua morte trágica e inesperada, assumiu a tarefa de concluir a obra monumental do marido. Ela é uma mulher culta e acompanhava o marido no seu trabalho gigantesco tendo, portanto, uma boa noção da tarefa que estava assumindo e, principalmente, da importância deste trabalho. Antes de embarcar para a Europa, Carlos Henrique havia dito para a esposa: “Maria. Se eu não voltar, publique o meu livro.”

Obra pronta

O nome da obra concluída por Maria Astolfi é O Quadriênio 1827-1830 da Imigração e Colonização Alemã no Rio Grande do Sul. Ela tem 1820 páginas e foi dividida em três volumes. Com os dois volumes que foram editados por Carlos Henrique ainda em vida, a obra completa totaliza 2.800 páginas.

É uma obra fabulosa na qual os descendentes de alemães encontram respostas para perguntas fundamentais como Quem sou? De onde vim? Quem foram meus antepassados? Por que me encontro aqui? (como escreve Maria Astolfi no prefácio da obra)..

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