Da pequena Vila de Touro, em Portugal, nasceu o primeiro morador de São Sebastião do Caí Reprodução/FN

A atual cidade de São Sebastião do Caí já foi conhecida por outros nomes. Quando o município foi criado, em 1875, foi chamado de São Sebastião do Caí. Depois disto, porém, houve um longo período em que o nome do município passou a ser apenas Caí (ou Cahy, numa grafia mais antiga). A denominação oficial só voltou a ser São Sebastião do Caí no ano de 1958, conforme determinação da lei estadual n° 3.613, de 10 de dezembro daquele ano.

Antes de ser cidade, o Caí foi conhecido, por algum tempo, como Porto do Guimarães (ou dos Guimarães). Isto se deve ao fato de que Antônio José da Silva Guimarães, pelo ano de 1848, comprou terras onde hoje está situada a cidade e as revendeu em lotes, promovendo assim o seu povoamento. Guimarães também foi comerciante e até vereador do município de São Leopoldo, ao qual pertencia o Caí na época. Quando Guimarães comprou as terras no Caí o lugar era quase totalmente desabitado. Mas, a partir da colonização promovida por ele, passou a se desenvolver rapidamente a ponto de tornar-se, 50 anos depois, uma das mais importantes cidades gaúchas. Um progresso impressionante que se deveu ao desenvolvimento da colonização alemã no Vale do Caí e da italiana na região da Serra.

Recuando um pouco mais no tempo, encontramos o local onde hoje se situa a cidade de São Sebastião do Caí com a denominação de Dona Teodora. Mas o nome pelo qual este lugar foi mais conhecido na primeira metade do século XIX é Porto do Mateus. E isto porque o primeiro proprietário e morador destas terras chamava-se Bernardo Mateus.

O pesquisador Ruben Neis desenvolveu amplas pesquisas sobre este homem que foi o primeiro caiense e as expôs em artigos publicados no Correio do Povo no ano de 1975, quando se comemorava o centenário da emancipação de São Sebastião do Caí. Resumidamente, a história de Bernardo Mateus é a seguinte:

Ele nasceu em Portugal, na Vila do Touro, no dia 13 de agosto de 1761. Era filho de Francisco Mateus e Francisca Gonçalves, ambos moradores da mesma vila do Touro, situada no bispado da Guarda. Consta que ele tenha vindo de Portugal para o Brasil com 12 anos, por volta de 1773. Viveu na Aldeia dos Anjos (atual cidade de Gravataí) por vinte anos e depois transferiu-se para o local onde hoje está situada a cidade de São Sebastião do Caí, onde recebeu terras do governo. Isto aconteceu por volta do ano de 1793. Na época, esta parte do Vale do Caí era ainda coberta por exuberante mata nativa, povoada apenas pelos índios e pelos animais silvestres, inclusive a temida onça.

Nos primeiros anos ele deve ter morado sozinho nas suas terras. Como outros desbravadores das matas, deve ter vivido daquilo que extraía da floresta e deve, inclusive, ter praticado o comércio com os índios, trocando peles de animais e outras mercadorias fornecidas pelos selvagens por objetos da civilização que interessavam a eles, como espelhos e facas.

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