Balduíno Rambo foi um dos gaúchos mais admiráveis do século XX e é visto hoje como um dos fundadores do ambientalismo no estado Reprodução/Internet

Nasceu em Tupandi, mais exatamente na localidade de Butterberg (Morro das Batatas) um dos homens mais cultos e produtivos que o Rio Grande do Sul já teve. O padre Balduíno Rambo deixou para a posteridade um legado admirável como cientista, literato, historiador, sacerdote e professor. Foi um dos gaúchos mais admiráveis do século XX e é visto hoje como um dos fundadores do ambientalismo no estado.

Seu nascimento ocorreu no dia 11 de agosto de 1905 e seus pais, Nicolau e Gertrudes Vier Rambo, eram humildes colonos. Depois dos seus primeiros estudos em Tupandi, seguiu sua formação em extensos estudos nos seminários jesuíticos até ordenar-se sacerdote em 31 de outubro de 1936. Lecionou no Colégio Anchieta, em Porto Alegre até a sua morte prematura ocorrida em 12 de setembro de 1961, aos 56 anos.

Como observou Arthur Blásio Rambo, o padre Balduíno Rambo “foi uma destas figuras versáteis, uma dessas mentes universais e irriquietas, beirando à genialidade, e, ao mesmo tempo, uma dessas almas sensíveis capaz de extasiar-se diante de um panorama grandioso ou de comover-se ao encontrar uma flor singela escondida no meio de ervas do campo. Para quem o conheceu num convívio mais próximo e teve oportunidade de acompanhá-lo, de vez em quando, nas suas andanças pela natureza, fica difícil decidir em que ele se sobressaiu mais: se foi como religioso, se foi como líder popular, se foi como mestre na cátedra da universidade, se foi como poeta, como contista, como ensaísta, se foi como cientista, se foi como observador arguto dos acontecimentos que movimentam a história das décadas de 20, 30, 40, e 50 e que ele registrou minuciosamente em seu diário.”

Rambo foi desde moço muito dedicado ao estudo e à escrita. Publicou o seu primeiro trabalho sobre “Líquenes” em 1931, quando tinha 26 anos. A partir daí, publicou inúmeros trabalhos versando sobre temas muito variados: Geologia, Geografia, Botânica, Zoologia, Didática. Foi, acima de tudo, cientista e professor, mas tinha uma cultura diversificada, dominando a História, a Economia e outros aspectos das ciências humanas. Preocupado com o progresso da região colonial, na qual nasceu, auxiliava os agricultores a buscar soluções técnicas e econômicas para a atividade rural.

Grande Cientista

Em 1942 foi publicado o seu livro A Fisionomia do Rio Grande do Sul, numa edição de apenas 550 exemplares, patrocinada pelo governo do estado e distribuída gratuitamente. Para elaborar este trabalho, Balduíno trabalhou dez anos. Ele era, então, professor de ciências naturais e, para realizar a obra, percorreu o estado inteiro, usando todos os meios de transporte, inclusive o avião. Ao final de A Fisionomia do Rio Grande do Sul, ele defendeu a necessidade de preservar a natureza, nos seguintes termos:

“Assim, no curso de todas as culturas humanas, mais cedo ou mais tarde, surgem as tendências de proteção ativa da natureza. Um povo que descuidasse desse elemento, teria falta de um requisito essencial da verdadeira cultura humana total e seria indigno da terra com que a pródiga mão do Criador o presenteou.”
Palavras que serviram de inspiração para José Lutzemberger – que as leu em 1956, quando o livro do Padre Balduíno teve a sua segunda edição, pela Livraria Selbach – ajudando-o a tornar-se um dos maiores baluartes da luta ecológica no Brasil e no mundo.

No mesmo ano de 1942, tornou-se professor catedrático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tendo fundado a cadeira de Antropologia e Etnografia. Em 1954 aceitou dirigir a Secção de Ciências Naturais da Divisão de Cultura da Secretaria Estadual de Educação e Cultura. Organizou, então, o Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais e fundou a revista científica Ihhríngia.
Foi o idealizador e criador do Parque Zoológico e Botânico do Rio Grande do Sul (em Sapucaia do Sul), que não chegou a ver completamente implantado. Idealizou, também, a criação do Parque Nacional dos Aparados da Serra (Itaimbezinho).

Formação
Balduíno Rambo foi o mais velho dos doze filhos de Nicolau e Gertrudes. Seus irmãos foram Raimundo, Fridolino, Roberto, Ida Maria, Ida Rosalina, Tecla Leopoldina (esta a única irmã que chegou à vida adulta produtiva, tornando-se religiosa e professora, inclusive de nível universitário), João Bertoldo, Ana, José, o caçula Blásio (ou Braz) e uma menina natimorta.

O mais admirável estudo sobre Balduíno Rambo foi produzido por Arthur Rabuske SJ, com o título Balduíno Rambo SJ: Sacerdote, Naturalista, Escritor e Líder Popular. Dali extraímos informações preciosas sobre a vida e a alma deste grande homem.

Quando menino, Balduíno frequentou a escolinha comunitária em Tupandi, para onde tinha de caminhar vários quilômetros diariamente e foi alfabetizado por professoras que eram irmãs franciscanas vindas da Alemanha. Não lhe faltou, portanto, educação primária de bom nível nos seus primeiros (quatro) anos de estudo.

Depois, aos 11 anos, foi estudar na Escola Apostólica de Pareci Novo. Esta escola começou a surgir em 1894, quando os jesuítas compraram a propriedade de que fora do fazendeiro senhor de escravos Juca Inácio Teixeira, incluindo o casarão da senzala e terras adjacentes. Ali funcionou, a partir de 1895, o pequeno seminário vocacional que havia sido iniciado, poucos anos antes, em São Sebastião do Caí. Transferência feita por iniciativa do padre Theodor Amstad. Em 1912 o seminário foi transferido para São Leopoldo, mas em 1917 ele voltou a funcionar no Pareci. E foi neste ano que Balduíno Rambo lá chegou, com mais onze meninos vindos de Harmonia, Feliz, Bom Princípio e Caí.

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