Prefeito de Montenegro, Aurélio Porto foi também um grande historiador Reprodução/Internet

O ex-prefeito montenegrino Aurélio Porto foi um dos mais brilhantes intelectuais gaúchos da sua época. Eis aqui um perfil biográfico escrito a respeito dele por Monique Morais:

“Aurélio Porto nasceu em Cachoeira do Sul (RS) em 25 de janeiro de 1879. Filho de Júlio Gomes Porto e Aurélia Guedes da Luz Porto. Estudou em sua cidade natal, em Santa Maria e em Porto Alegre. Foi diretor do jornal O Progresso de Rosário (1899), professor em Quaraí, 1900-05, e redator de A Fronteira e de Rio Grande em Cachoeira do Sul, 1904. Exerceu o magistério no Colégio Elementar, em Santa Maria, no ano de 1910, sendo, também redator de O Estado.

Ocupou o cargo de Intendente do Município de Garibaldi, de 1910 a 1917, e foi funcionário do Museu do Estado do RS em Porto Alegre, cidade onde ocupou o cargo de redator de A Federação. Fundador e diretor da Revista do Imposto Único, de 1920 a 1921. Redator dos Anais do Itamarati, Rio de Janeiro. Redator de A Pátria e O Combate, Rio de Janeiro. Historiador, pesquisador, romancista, poeta e teatrólogo. Co-fundador do IHGRS em 1920. Membro da Academia Rio-grandense de Letras.

Na imprensa, usou os pseudônimos de João da Ega, Melek, o Moleque, Elesbão, o
Ferrão e Zé Tarro. Faleceu em 1945, no Rio de Janeiro, onde foi redator dos Anais do Itamarati. Principal obra: História das Missões Orientais do Uruguai.”

Eli Behar, na sua obra Vultos do Brasil, acrescenta importantes informações sobre o ex-prefeito (ou intendente, como se dizia na época) de Montenegro:

“Aurélio Porto foi o ganhador do Concurso Literário do Centenário Farroupilha. “Nome de levantada significação para a história do Rio Grande do Sul mental. Cultura realmente enciclopédica. Inteligência excepcional. Poeta regionalista, orador, jornalista, dramaturgo, biógrafo (setor literário onde seu talento se revela de forma autêntica e inconfundível.
Aurélio Porto representa, por si só, índice eloquente da mentalidade gaucha. Onde quer que tenha de expor idéias, fá-lo com extraordinário brilho. É um sedutor do pensamento. Grande épico, acrescenta o eminente escritor Luís Correia de Melo. Fundador do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul e da Academia Rio-grandense de Letras, onde ocupa a cadeira nº 31.

Bibliografia: O milagre (versos), Município de Cachoeira (história), Pátria (drama), A conquista das Missões (história), Real Feitoria do Linho Cânhamo (estudo), Epopéia dos Farrapos (versos), Último Farrapo (versos), Professor Artur Candal (biografia), General João de Deus Martins (história), Cachoeira Território (estudo), Regimento dos Dragões de Rio Pardo (história), O Trabalho Alemão no Rio Grande do Sul (história), Um Capítulo da História do Rio Grande do Sul (história), O Tesouro do Arraial do Conde (romance histórico), Bandeiras Paulistas no Rio Grande do Sul (história), Dicionário Enciclopédico do Rio Grande do Sul (relação incompleta, pois foi feita quando o autor ainda vivia”.

Aurélio Porto foi diretor do Arquivo Público do Rio Grande do Sul (o que deve ter favorecido o seu trabalho de pesquisas) e, no exercício desta função, reimprimiu faccímiles dos jornais do ciclo farroupilha (O Americano, A Estrela do Sul, O Mensageiro, O Povo). Entre as suas obras mais destacadas encontra-se Epopéia dos Farrapos, que foi editado em Montenegro, no ano de 1922, quando Aurélio Porto era intendente (prefeito) da cidade.

Quem leu obras como As Missões Orientais do Uruguai e O Trabalho Alemão, sabe que os elogios feitos por Eli Behar a Aurélio Porto não são nada exagerados. Ele foi um dos maiores historiadores do Rio Grande do Sul em todos os tempos. Escrevia brilhantemente e fez pesquisas de enorme valor para o conhecimento da história do Rio Grande do Sul.

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