Armindo Carrard, de Bom Princípio, quase elegeu-se prefeito de Montenegro

A família Carrard sempre teve participação destacada na vida de Bom Princípio e da região.

O primeiro Carrard a se destacar foi Eugênio que, ainda no século XIX, foi administrador da Colônia de Santa Maria da Soledade. Ele era natural do cantão de Friburgo, na Suíça e veio para o Brasil quando ainda era um adolescente, acompanhando os pais Pedro Carrard e Margarida Klei Carrard. Nasceu no dia 3 de junho de 1838.

Estabeleceu-se na localidade de Piedade, hoje pertencente ao município de São Vendelino, mais precisamente no lugar conhecido até hoje como Morro Carrrad. Destacou-se por transmitir aos colonos técnicas avançadas de produção agrícola e tornou-se um importante líder comunitário.

No ano de 1892, com a república instaurada no Brasil, Eugênio Carrard continuava prestigiado. Tanto que foi escolhido para presidir a primeira seção eleitoral do 4º Distrito de Montenegro, que compreendia Bom Princípio e São Vendelino. Esta seção funcionava na casa do Tenente Coronel Carlos Bürgel e tinha como mesários Antônio Oppermann Sobrinho, Henrique Bleil, Cristiano Pedro Jacob Seibert e Pedro Werner. A segunda seção funcionava na casa de Carlos Weirich, era presidida por Maurício Bournier e tinha como mesários Pedro Nedel, João Henrique Schultem, Pedro Antes e Carlos Lydmaier. A terceira seção, que funcionava na casa de Jorge Anchau, tinha como presidente João Martinazzo e mesários Teodoro Cosseau, Antônio Zubaldro, Teodoro Moelman e Adolfo Frager. A quarta seção, que funcionava na aula pública de João Antônio Dias de Andrade e era presidida pelo mesmo, contava com os mesários Carlos João Frederico Daubermann, Pedro Winter, João Ludwig e Pedro Liesenfeld. Eugênio veio a falecer em 1º de abril de 1924. Ele era casado com Claudina Rodrigues da Fonseca, que era filha do pioneiro colonizador de Bom Princípio Mathias Rodrigues da Fonseca.

Um dos filhos de Eugênio, chamado Eugênio Isidoro Carrard, foi dono de uma importante casa comercial no centro de Bom Princípio, praticamente em frente à igreja. Nascido em 1876, ele morreu no ano de 1945 tendo sido uma das primeiras vítimas de acidente automobilístico na região. Ele andava montado na sua mula quando o animal assustou-se com a passagem de um caminhão e veio a chocar-se contra o veículo. Eugênio faleceu em conseqüência deste fato, que veio a ser um dos primeiros acidentes automobilísticos ocorridos na região.

No seu estabelecimento comercial denominado Casa Carrard, vendia mercadorias nacionais e estrangeiras e comprava a produção dos colonos. Junto à sua Casa Carrard ele tinha engenho de arroz e prensa de alfafa. No engenho ele processava o arroz colhido pelos colonos e a prensa servia para enfardar a alfafa que, cultivada na região, era exportada para ser consumida como ração para cavalos, especialmente os do exército brasileiro. A alfafa foi, por muitos anos, um importante produto agrícola da região.

Um homem preparado
Eugênio Isidoro Carrard era culto e atuava como correspondente de jornais da capital. Teve importante participação no movimento que resultou na atração dos Irmãos Maristas que vieram estabelecer, em Bom Princípio, o primeiro colégio desta ordem religiosa no Sul do Brasil: o Colégio Sagrado Coração de Jesus. Ele chegou a hospedar Irmãos Maristas em sua casa quando eles vieram da França, até que as obras do colégio fossem concluídas e a escola inaugurada, em 1900. Quando isto aconteceu, o comerciante tratou de matricular os seus filhos nesta escola e um deles, chamado Armindo Carrard, figurou entre os mais brilhantes alunos. A ponto dos irmãos haverem manifestado interesse em encaminhá-lo para estudos mais avançados na França. Seus pais, entretanto, não o liberaram para isto.

Uma das funções que as escolas dos Maristas e demais educandários católicos tinha naquela época era a de selecionar alunos talentosos e estimulá-los a seguir a vida religiosa.

Armindo era homem de grande cultura, sabendo expressar-se em francês, alemão gramatical, alemão dialetal, e português, além de latim. Naquela época vinha muita gente de fora estudar na escola dos Maristas, inclusive Egydio Michaelsen (que foi ministro da Indústria e Comércio no governo do presidente João Goulart), Nicanor Kraemer da Luz (que foi deputado, secretário estadual da fazenda e ministro do Tribunal de Contas do Estado) e Euclides Triches (governador do Estado).

Armindo Carrard destacava-se também pelas suas qualidades de orador. Por isto ele logo passou a desempenhar importantes tarefas na sua comunidade. Com menos de 24 anos tornou-se o líder do movimento pela construção do Hospital São Pedro Canísio. Ele teve extraordinário êxito neste empreendimento, pois os prédios do hospital formam um complexo que pode se considerar como sendo monumental, se for levado em conta o tamanho de Bom Princípio naquela época.

Poucos anos depois, Armindo foi nomeado subprefeito e subdelegado de Bom Princípio, que era então o 5º distrito de Montenegro. Mais tarde passou a exercer esta mesma função em Tupandi (embora ele tenha sempre residido em Bom Princípio). Com isto Armindo costumava a ir constantemente a Montenegro, que era a sede do município naquela época, resolvendo lá todas as questões de interesse dos munícipes residentes em Bom Princípio e, depois, os de Tupandi. O subprefeito era praticamente o único representante do poder público no distrito, atuando em diversas frentes. Acumulava funções executivas, como a conservação das estradas, com as de juiz e de chefe da polícia. Armindo foi também vereador em Montenegro e, mais tarde no Caí. Graças à boa formação da escola marista e aos seus esforços pessoais, Armindo Carrard tinha noções de direito e de contabilidade que o tornaram o mais destacado profissional a prestar serviços nestas áreas em Bom Princípio e adjacências.

O grande líder
Armindo Carrard foi o maior líder da comunidade de Bom Princípio nas décadas de 30 a 50. Foi também, por mais de 50 anos, o regente do coral masculino de Bom Princípio. Como subprefeito de Tupandi, ele se destacou pela boa conservação que conseguia dar às estradas daquele distrito.

Apesar de tantas realizações meritórias, Armindo Carrard tornou-se uma pessoa polêmica. Despertou sentimentos de respeito e reconhecimento por um lado, mas também algum ressentimento e mágoa.

O sentimento negativo em relação a ele deriva da sua atuação como subprefeito e subdelegado na época da Segunda Guerra Mundial. Ocorre que ainda na década de 40 a população de Bom Princípio falava predominantemente o alemão e mantinha um forte vínculo sentimental com a pátria de onde vieram os seus antepassados. Por isto, quando começou a Segunda Grande Guerra, em 1939, a população local posicionava-se favoravelmente à Alemanha. Na época as famílias mais abastadas possuíam equipamentos de rádio com os quais costumavam ouvir programas transmitidos da Alemanha, impregnados de propaganda nazista. Como o Brasil, inicialmente manteve-se neutro no conflito, não havia nenhum problema nisto. Mas o presidente Getúlio Vargas, que na época governava o Brasil de forma ditatorial, acabou se posicionando a favor das forças Aliadas (Inglaterra, Estados Unidos e União Soviética) e contra os países do Eixo (aliança constituída basicamente pela Alemanha, Itália e Japão). Com isto, a Alemanha passou a ser considerada país inimigo e qualquer vínculo mais estreito com aquele país passou a ser encarado como traição. Havia mesmo pessoas da região que se envolveram na guerra em favor da Alemanha, inclusive o jovem Carlos Henrique Hunsche, filho do médico caiense Carlos Frederico Hunsche.

Carlos Henrique, que mais tarde se tornaria o mais destacado pesquisador da imigração alemã no Rio Grande do Sul, na época era estudante na Alemanha e atuou como locutor na rádio nazista transmitindo propaganda de guerra em programas dirigidos especialmente para o Brasil.

Mesmo quando Getúlio Vargas colocou o Brasil na posição de inimigo dos nazistas, não mudou o sentimento da maioria da população de origem alemã na região. Era predominante a simpatia pela Alemanha e pelo próprio nazismo. Por isto, o governo brasileiro instituiu uma política de repressão especial para as colônias alemãs, italianas e japonesas que chegava até, em certos casos, à proibição de falar publicamente os idiomas dos países inimigos.

“Perseguições” durante a guerra
Em localidades do interior dos municípios da região colonial cabia aos subprefeitos (que geralmente acumulavam a função de subdelegados) a obrigação de fazer com que a lei fosse cumprida. O que não era fácil, pois grande parte dos colonos sequer sabia falar o português. Proibidos de falar o alemão quando eles iam à missa ou ao armazém, portanto, era o mesmo que proibi-los de falar. E a guerra foi longa, durou anos.

E muitos colonos eram, na verdade, fervorosos defensores da Alemanha. Imagine-se o que acontecia quando eles tomavam uns chopes a mais nos bares e nas festas. Além disto haviam os receptores de rádio. Colonos que não entendiam o português tinham seus receptores somente com o propósito de ouvir as rádios alemãs. Durante a guerra estas emissoras passaram a transmitir quase exclusivamente propaganda a favor da Alemanha e contra os países que estavam em guerra contra ela, inclusive o Brasil. Por isto, ouvir tais emissoras tornou-se proibido durante o período de guerra. Mas era muito comum que os colonos desobedecessem tal determinação e, por isto, muitos receptores foram apreendidos.

O subprefeito de Bom Princípio, na época, era João Rodrigues da Fonseca. Ele também teve de reprimir as manifestações pró nazismo. Ele agiu assim no cumprimento das suas obrigações de representante do governo, apesar de não ter nenhuma antipatia pelas pessoas de origem alemã. Pelo contrário, Apesar de ser de origem portuguesa, João Rodrigues (conhecido também pelo apelido de Jango) sempre viveu em meio aos colonos alemães, bem integrado com eles, e expressava-se perfeitamente em alemão. Sua esposa era de origem alemã e sequer sabia falar o português.

Armindo Carrard não cometeu arbitrariedades. Agiu dentro daquilo que era determinado pela lei da época. Mas, mesmo assim, desagradou muitos colonos com as atitudes que foi obrigado a tomar em virtude da sua função de subprefeito em Tupandi. Ele até se empenhava em defender os colonos que sofriam problemas devido ao clima hostil criado na época da guerra. Mas, mesmo assim, ficaram alguns ressentimentos contra ele por atitudes que teve de tomar no exercício das suas funções oficias.

Um caso muito interessante ocorreu com um colono da localidade de Júlio de Castilhos (pertencente ao distrito de Tupandi) que se dedicava ao comércio de produtos coloniais da região e os transportava – em carreta – até à estação férrea de Maratá. No caminho a carreta atolou e ele gritou para um dos animais que fazia a tração da carroça, chamando-o de Getúlio. O nome do então ditador brasileiro Getúlio Vargas. O colono foi preso e levado a Porto Alegre. E Armindo teve de entrar em ação para conseguir libertá-lo.

Este episódio mostra como os descendentes de alemães guardavam, ainda, um vínculo muito forte com a Alemanha. Muitos se consideravam mais alemães do que brasileiros e a maioria dos descendentes de germânicos simpatizavam com o governo nazista de Adolf Hitler. Não eram, ainda, do conhecimento público o holocausto judeu e fora amplamente divulgado o extraordinário progresso obtido pela Alemanha na década de 30 sob o governo nazista. Era comum na época – entre os descendentes de germânicos – a ideia de que Getúlio Vargas errou ao unir-se aos ingleses e norte-americanos para declarar guerra contra a Alemanha. Também entre os brasileiros de descendência italiana e japonesa foi forte este tipo de sentimento. Portanto era razoável, também, que o governo brasileiro se preocupasse em contê-lo nas regiões do país em que predominavam estas colônias. O fato de um colono dar o nome do governante do país a um dos seus animais de carga hoje seria bem tolerado. Mas é natural que, num período de guerra, este tipo de coisa fosse encarado de forma diferente.

Prestígio inabalado
Entretanto os casos de colonos que ficaram ressentidos com as atitudes de Armindo Carrard no exercício da sua função de subprefeito durante a guerra foram poucos e não chegaram a afetar muito o seu grande prestígio em Bom Princípio. Tanto que pouco depois do término da guerra, em 1947, ele foi um dos dois vereadores eleitos por Bom Princípio para a Câmara de Vereadores de Montenegro: ele pelo Partido Libertador (PL) e Antônio Scherer pelo PSD (o partido de Getúlio Vargas).

Armindo teve grande votação e saiu prestigiado. A ponto de disputar as próximas eleições municipais de Montenegro, no ano de 1952, como candidato a prefeito. Ele perdeu a eleição, por pequena diferença de votos, para o candidato do PSD Germano Roberto Henke. Henke era apoiado pela poderosa família Rosa, que dominava a política de Montenegro naquela época. A grande votação do PL na região colonial alemã levou o partido a eleger quatro vereadores montenegrinos naquele mesmo pleito: Arno Rinaldo Selbach, de Bom Princípio; Hugo Fridolino Müller, de Tupandi; José Zeno Kerber, de Harmonia e Remo Ignácio Hartmann, de Barão.

A disputa para prefeito foi muito apertada e teria sido decisivo para a derrota o recurso utilizado pelo PSD de distribuir por toda a região colonial um panfleto no qual Armindo Carrard era apontado como perseguidor dos colonos alemães no período da guerra. Estes panfletos foram distribuídos no momento final da campanha, com o uso de avião. E constava neles que Armindo Carrard pisava em cima da santa, cuspia no terço, perseguia e batia nos alemães durante a guerra.

Mesmo com esta propaganda insultuosa e caluniosa, Armindo Carrard obteve vitória esmagadora em Bom Princípio e nos distritos vizinhos de São Vendelino e Tupandi, onde era mais conhecido. Perdeu a eleição para prefeito apenas devido ao grande peso que tinha o eleitorado da cidade de Montenegro na soma total de votos do município. No ano seguinte, Armindo Carrard teve participação decisiva no movimento pela desanexação de Bom Princípio e São Vendelino do município de Montenegro e sua anexação ao Caí. Depois disto Armindo foi, por quase dez anos, vereador do município de São Sebastião do Caí tendo atuação destacada e expressivas votações.

Além dos importantes papéis que desempenhou nos setores político e comunitário de Bom Princípio e região, Armindo Carrard também teve participação importante como empresário. No ano de 1948 ele foi um dos responsáveis pela criação da Eletro Industrial Bom Princípio Ltda, empresa privada que se dedicou, por vários anos, à produção de energia elétrica e a sua distribuição na localidade. A pequena usina foi instalada numa serraria existente no centro da vila, próximo à ponte sobre o arroio Forromeco que dá acesso ao Bom Fim Baixo. Não passava de um motor que acionava um gerador de energia. O fornecimento de energia ia apenas até as dez e meia da noite e um pouco antes disto uma rápida interrupção dava o aviso aos usuários de que o fim das atividades do dia estava próximo. O gerador só voltava a funcionar na manhã seguinte. Quem cuidava da manutenção do serviço era Eugênio Elimar Brandt, com assistência técnica de Pedro Bartzen Sobrinho. Já na década de 50 a empresa cessou as atividades quando foi atendido o pleito da comunidade para que uma rede de energia elétrica fosse estendida do Caí até Bom Princípio.

Carrard e a derrota de Egydio Michaelsen
A ponte que havia perto da usina era pênsil, servindo apenas para o uso de pedestres. Do outro lado do arroio as terras pertenciam ao município de São Sebastião do Caí. A partir de 1948, quando passou a ser vereador em Montenegro, Armindo Carrard tratou de fazer um acerto entre os dois municípios para a realização conjunta desta obra. Com muito empenho, a obra acabou por concretizar-se. Mas só foi inaugurada em 1955, quando Bom Princípio já havia se desligado de Montenegro e passou a integrar o município de São Sebastião do Caí. A ponte serviu para facilitar o intercâmbio entre Feliz (que já era distrito caiense há muitas décadas) e Bom Princípio que se tornara território caiense há apenas dois anos. Desde 1975, quando foi criado o município de São Sebastião do Caí o arroio Forromeco servia de divisa entre os dois municípios.

A inauguração mereceu grande festa, com a participação do prefeito do Caí Orestes José Lucas, do arcebispo Dom Vicente Scherer e do secretário estadual de obras públicas, Major Euclides Triches. Armindo Carrard foi o orador oficial. Esta ponte era importante porque, naquela época, não havia a ponte da RS-122 sobre o rio Caí e, quando o rio estava cheio tornando inviável cruzar o rio pelo Passo ou pela barca (que ficava um pouco abaixo do Passo Selbach), a melhor opção para quem ia de Bom Princípio ao Caí era seguir até a Feliz cruzando o rio pela Ponte de Ferro.

Em 1962, quando ocorreu a eleição para escolher o sucessor de Leonel Brizola no governo do estado, houve uma acirrada disputa entre o candidato da situação, Egydio Michaelsen, e o oposicionista Ildo Meneghetti. Egydio era caiense (foi prefeito municipal de 1936 a 1944) mas perdeu a eleição no seu município de origem. Armindo Carrard, por questões partidárias, foi um dos líderes locais que apoiou Meneghetti naquela eleição. A derrota de Egydio aconteceu na parte do município com predomínio da colonização alemã (Bom Princípio, Feliz, São Vendelino etc) e, curiosamente, um dos aspectos que contribuiu muito para a sua derrota na região colonial foi a fama de ter sido contra os alemães durante a guerra. Como era prefeito na época do conflito mundial, Egydio teve a obrigação de fazer cumprir as leis que eram impostas pelo governo federal naquela situação excepcional. E isto o prejudicou politicamente.

Em 1967, quando Carrard tinha já 61 anos, ainda exercia a vereança no Caí. Era prefeito, na época, o doutor Bruno Cassel e ocorreu então uma grave crise institucional. Quatro vereadores (o que representava quase a metade dos componentes da Câmara) decidiram renunciar aos seus mandatos em vista do que consideravam ser graves desmandos administrativos praticados pelo poder executivo municipal. Renunciaram, além do caiense João da Silva Reis, três representantes de Bom Princípio: Armindo Carrard, Círio Clemente Hartmann e Alberto Libório Schmitz.

Líder até o fim
Depois disto, Armindo Carrard resolveu afastar-se da política partidária. Abraçou, então, mais uma importante missão em favor da sua comunidade: a implantação de um ginásio. Com a desativação do Colégio dos Irmãos Maristas, os jovens de Bom Princípio passaram a ter dificuldade em continuar os seus estudos além dos cinco anos da escola primária. A opção mais viável passou a ser estudar no Ginásio São Sebastião, no Caí, onde muitos jovens de Bom Princípio estudaram na década de 1960.

Armindo fundou e presidiu a Escola Cenecista Professora Maria Jeger, que funcionou inicialmente em algumas salas desocupadas do Seminário. Mas por pouco tempo. As aulas foram transferidas depois para o salão da Sociedade Santa Cecília, que então era presidida pelo filho de Armindo, Arno Eugênio Carrard. O salão foi dividido em salas com o uso de biombos móveis. Mais tarde Armindo ainda planejou e comandou a construção de instalações próprias para a escola. As mesmas que hoje servem para o funcionamento da Escola Monsenhor José Becker, na esquina das ruas Pedro Bartzen Sobrinho e Pio XII.

Antes da construção da ponte da RS-122 sobre o rio Caí havia dois modos de atravessar o rio nas imediações de Bom Princípio. Uma era através do Passo (no Passo Selbach, principalmente) e outra era a barca, que permitia a travessia com automóveis, mesmo quando o rio estava um pouco mais cheio. Quando o rio estava muito baixo, automobilistas passavam pelo Passo para economizar o dinheiro da barca. Quando já estava para ser construída a ponte rodoviária, a barca estragou e não havia mais interesse comercial em reconstruí-la devido ao pouco tempo que ainda teria para o proprietário obter o retorno do investimento. Armindo Carrard solucionou o problema coordenando a mobilização para construção de uma nova barca que foi a última no local.

A morte de Armindo Carrard ocorreu no ano de 1979, quando ele tinha 73 anos. Ele foi o grande líder que encaminhou o povo de Bom Princípio no sentido de importantes realizações. Este seu trabalho foi particularmente importante porque ocorreu num período que foi de crise para a comunidade de Bom Princípio. Entre as décadas de 1930 a 1970, Bom Princípio passou por um período de dificuldades econômicas que foram amenizadas pela sua salutar atividade como líder da comunidade.

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