A travessia do rio a cavalo custou a vida de muitas pessoas Reprodução/FN

O padre Michael Kellner integrou o primeiro grupo de jesuítas alemães que vieram dar assistência para os colonos alemães estabelecidos no Rio Grande do Sul. Kellner morreu afogado no rio Caí ao tentar atravessá-lo no dia 2 de janeiro de 1883. Ele voltava, a cavalo, de Tabaksthall (hoje Picada Cará) para a residência dos jesuítas de Bom Princípio, onde ia proceder confissões. Premido por este compromisso, tentou atravessar o rio que estava bastante cheio em conseqüência das chuvas. Ao fazer a travessia arriscada, o cavalo desequilibrou-se e caiu. E o sacerdote foi tragado pelas águas. O seu corpo só foi encontrado três dias depois. O padre Kellner foi enterrado no dia 5 de janeiro, na capela de Santo Aloísio (São Luís), na localidade de Bela Vista, bem perto do local do seu afogamento. Junto ao rio, no antigo passo em que ocorreu a morte do sacerdote, se encontra ainda hoje um monumento em forma de cruz, erigido para lembrar este heroico sacerdote que, para dar assistência aos fiéis, arriscava sua vida trilhando as perigosas estradas daquela época.

Outro religioso que teve papel fundamental na história de Bom Princípio e que sofreu grave acidente numa tentativa de travessia do rio Caí foi o Irmão Auguste Marx Weibert. Este religioso, que foi o primeiro diretor do colégio dos Irmãos Maristas de Bom Princípio, certa vez se deslocava de Bom Princípio para Montenegro, então sede do município, e tentou atravessar o rio Caí que estava um pouco cheio. O cavalo tropeçou e jogou o Irmão para fora da sela. Como o Irmão Weibert não sabia nadar, correu seríssimo risco de vida e só conseguiu se salvar porque, estando já submerso, agarrou-se a algo que lhe roçava a cabeça. Era o rabo do cavalo. E o animal – assustado pelos puxões em sua cauda – arrastou o Irmão Weibert até a margem do rio.

O padre Johann Batist Ruland era também jesuíta. Nascido em 1840, na Alemanha, ele atuou como sacerdote nas paróquias de Salvador do Sul, Montenegro e, por fim, na de Feliz. Na noite de 6 de novembro de 1895 ele retornava a cavalo de São José do Hortêncio para a sua paróquia de Feliz. Por volta das 20:30 horas o padre atravessava o rio Caí na barca e caiu da mesma. As pessoas tentaram socorrê-lo alcançando-lhe um pedaço de madeira, mas foi inútil. Seu corpo foi encontrado no dia seguinte, rio abaixo, na localidade de Picada Cará.

Ludwig Alois Campani (Luis) faleceu no passo de Bom Princípio em 28 de junho de 1897. Ele era um caixeiro viajante e, na sua rota de trabalho, costumava passar por Bom Princípio, onde se hospedava sempre no mesmo hotel. No dia da sua morte, o cavalo apareceu sozinho naquele mesmo hotel onde Campani sempre costumava ficar. Três dias depois encontraram o seu corpo dentro do rio Caí, preso em galhos na margem, rio abaixo. Sumiram as pastas em que o caixeiro viajante levava o seu mostruário e o dinheiro das cobranças que fazia, que era uma boa quantia. Supõe-se que tenha sido assassinado por assaltantes. O fato do cadáver já estar em início de decomposição tornou difícil descobrir se ele havia sofrido alguma violência. Como o rio estava baixo, a hipótese de um acidente foi considerada improvável. Ludwig Alois era pai de Antônio Campani e avô de Carlos Campani, sendo que ambos seguiram a mesma profissão de caixeiros viajantes (ou representantes comerciais, como se diz hoje).

Como se vê, assim como hoje, também no passado muita gente morria nas estradas, vítimas de acidentes ou da ação de criminosos.

Nota: Conforme observa o historiador Egídio Weissheimer, o local onde foi encontrado o corpo do padre Kellner não pode ter sido Picada Cará, pois esta localidade é situada a montante (rio acima) do local onde ocorreu o afogamento.

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