Município é destaque pelo empreendedorismo de seus moradores Alex Steffen / ASCOM

A presença na comunidade de imigrantes que chegavam da Europa com um nível de cultura e conhecimento tecnológico muito superior ao que comumente se encontrava no Brasil àquela época foi o principal diferencial de Bom Princípio no final do século XIX e início do século XX. Foi por isto que a pequena Bom Princípio, que em 1911 tinha apenas 2.324 habitantes (aproximadamente 400 no povoado, hoje sede municipal) foi capaz de realizações tão admiráveis. Mas é preciso que se ressalte uma outra presença fundamental para o desenvolvimento local: a dos Padres Jesuítas, dos Irmãos Maristas e das Irmãs de Santa Catarina.

Compostas inicialmente por religiosos vindos da Europa, estas ordens religiosas realizaram verdadeiros prodígios junto com a população da pequena localidade. O que não é de se estranhar, principalmente dos jesuítas, que sempre demonstraram uma fantástica capacidade de realização. Haja visto o que foram capazes de fazer nos Sete Povos das Missões, obra de uns poucos padres e dos indígenas por eles liderados. Foram, basicamente, os jesuítas que comandaram a comunidade católica de Bom Princípio até o ano de 1942. E, para se ter uma ideia da extraordinária capacidade realizadora dos sacerdotes desta ordem, reproduzimos aqui um comentário do historiador Eduardo Bueno “Peninha”:

“O que mais impressiona no inventário dos feitos dos jesuítas no Brasil, no entanto, é o número extraordinariamente pequeno de homens responsáveis por eles: de 1549 a 1604, apenas 174 padres estiveram no país. Entre eles personagens complexos como Manoel da Nóbrega, mitológicos como José de Anchieta, incansáveis como Leonardo Nunes, o “Padre Voador”, e misteriosos como Pero Correa (rico escravocrata que largou tudo para se dedicar à ordem). Acima de todos, porém, paira a figura majestosa de Antônio Vieira, o maior dos oradores da língua portuguesa. Não fossem as cartas e relatórios minuciosos desses homens – os jesuítas praticamente não davam um passo sem registrá-lo -, seria praticamente impossível reconstituir a história do Brasil-colônia.”

E foi assim também em Bom Princípio, onde a presença de alguns poucos padres jesuítas foi capaz de impulsionar a comunidade, tornando-a capaz de empreender grandes realizações. Os jesuítas foram padres empreendedores e esta sua característica parece ter sido transmitida ao espírito do povo de Bom Princípio que durante tantas décadas deu ouvidos às suas pregações.

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