Real Feitoria do Linho-Cânhamo: Local que abrigou os primeiros imigrantes alemães em São Leopoldo. Fonte: Arquivo Histórico Visconde de São Leopoldo.

Foi em 25 de julho de 1824 – há 180 anos – que o primeiro grupo de imigrantes alemães chegou ao Rio Grande do Sul. Mais precisamente no local onde hoje se situa a cidade de São Leopoldo.

O governo imperial brasileiro – sob o reinado de Dom Pedro I – havia destinado para o fim de colonização uma grande área de terras situada nas imediações de São Leopoldo. Apesar de estarem próximas a Porto Alegre (que já era a capital da província) eram terras quase totalmente desabitadas e, em grande parte, cobertas pela mata virgem. Índios nômades perambulavam por estas matas, assim como onças ferozes. Por isto, o homem branco relutava em fixar-se nestas terras, preferindo as regiões de campo, ainda abundantes na província que então se chamava Rio Grande de São Pedro.

Ernst Zeuner: Ilustração da chegada dos primeiros imigrantes alemães em São Leopoldo.
Fonte: Reprodução

Logo após a primeira leva de colonos, outras vieram totalizando cerca de 5.000 imigrantes até o ano de 1830. Quase 1.000 por ano e quase todos alemães. O império patrocinava a vinda dos imigrantes porque tinha grande interesse em ver a província, que então era quase um deserto, ser povoada por gente que lhe fosse fiel. Os castelhanos da Argentina também se consideravam legítimos donos das terras rio-grandenses e o governo brasileiro precisava ocupá-las para garantir a sua posse. Entre os colonos, os agentes da imigração tinham instrução de priorizar a vinda de homens com aptidão para servirem como soldados na luta contra os castelhanos. E os colonos foram úteis ao império, tanto na defesa e expansão das fronteiras brasileiras como até na Revolução Farroupilha, quando a maioria dos alemães para cá imigrados ficaram do lado do império, ajudando a evitar que o Rio Grande do Sul se separasse do Brasil.

As terras destinadas à fixação dos colonos alemães eram bastante amplas, estendendo-se pelos vales dos rios Sinos e Caí. Eram terras de uma antiga fazenda do governo (a Real Feitoria do Linho Cânhamo) acrescidas de terras devolutas (sem dono) que vieram formar a Colônia Alemã de São Leopoldo.

Este foi um empreendimento formidável para a época e que teve um efeito espetacular no desenvolvimento social, cultural e – principalmente – econômico do Rio Grande do Sul. Os colonos alemães vinham da Europa com uma carga de conhecimento cultural e tecnológico muito superior à dos brasileiros de origem portuguesa (luso-brasileiros) que já viviam na província. Trouxeram técnicas agrícolas e comerciais mais avançadas e, inclusive, tecnologia industrial que lhes ajudou a desenvolver – por exemplo – a indústria de calçados; além das de alimentos, bebidas, tecidos, vestuário e inúmeras outras.

Mas, como o governo brasileiro dava terras aos alemães que aqui chegavam, a grande maioria deles dedicou-se – inicialmente – à agricultura. Os primeiros a vir receberam terras próximas a São Leopoldo e, na medida em que as terras mais próximas eram ocupadas, os lotes entregues aos novos colonos que chegavam se distanciavam mais da sede da colônia e se embrenhavam mais na mata fechada.

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