Em 2004 o prefeito Léo Klein contratou uma draga para desassorear o Rio Caí na área urbana do município Arquivo/FN

No ano de 2004, semanas antes da eleição que o conduziria a um segundo mandato, o prefeito Léo Klein conseguiu a proeza de trazer uma grande embarcação, uma draga, até o antigo porto da cidade. Coisa que não acontecia há muitos anos. O fato, seguramente, ajudou na sua reeleição. O jornal Fato Novo, na ocasião, narrou o fato da seguinte forma: ”Não foi fácil, mas a draga Esperança conseguiu chegar até o Caí. Trata-se de uma draga de sucção, o tipo mais utilizado para desassoreamento de rios e canais. Ela está instalada num barco, como geralmente acontece. Mas este barco, chamado Esperança, causou sensação quando chegou ao porto do Caí por volta de meio-dia da última quarta-feira. Acontece que o Esperança é um barco bem maior do que se esperava.

O porto do Caí, que era muito movimentado no início do século passado, deixou de ser usado em meados da década de 50. E os barcos que costumavam navegar pelo rio Caí nos anos 40 ou 50 não eram tão grandes como este.

A maioria das pessoas que vivem no Caí hoje em dia nunca tinham visto um barco atracado no cais do porto. Por isto foi natural a curiosidade. Mas quem mais gostou de ver a draga no porto do Caí foram os partidários do prefeito Léo Klein. Para eles, a draga significa um importante reforço para a campanha eleitoral. A draga será – para eles – a solução para o problema das enchentes na cidade.

A vinda da draga já estava anunciada há um bom tempo, mas ela demorou a chegar porque o rio – ultimamente – estava muito baixo. O que foi azar dos partidários do prefeito Léo Klein, pois nesta época de inverno costuma chover bastante. A sorte sorriu para o prefeito no início desta semana e a oportunidade não foi desperdiçada.

Quando o rio começou a encher, na manhã de terça-feira, os donos da draga foram avisados e não demoraram a partir. Por volta de quatro horas da tarde já estavam passando por Montenegro, onde a Esperança foi fotografada pelo repórter do Fato Novo (foto que foi transmitida por internet e publicada na edição que saiu na manhã de quarta-feira). Cauteloso, o Fato Novo anunciou que a draga deveria chegar naquele dia. E quase aconteceu dela não chegar, pois no trajeto entre Montenegro e Pareci Novo aconteceu um acidente. O barco raspou no fundo rochoso do rio e a hélice ficou avariada. E a draga não pode seguir viagem. Havia o temor de que o rio voltasse a baixar logo, pois as chuvas não haviam sido muito fortes. Por isto, era necessário fazer o conserto depressa.
Com a ajuda dos bombeiros voluntários, que acompanharam a Esperança na sua viagem até o Caí, foi possível consertar a hélice e, assim, a viagem foi retomada na manhã de quarta-feira. E o rio continuou subindo de nível até o dia seguinte, o que fez com que a viagem pudesse ser feita sem problemas.

Na primeira metade do século XX, o rio Caí era dragado, o que ajudava a garantir a sua navegabilidade até o porto de São Sebastião do Caí (foto original da época)
Arquivo/FN

Para os moradores dos bairros caienses mais afetados pelas enchentes, a draga representa uma grande esperança de melhoria em suas vidas. As grandes enchentes causam grandes transtornos e prejuízos para os moradores afetados. Se a draga fizer o trabalho esperado, deverá acontecer – inclusive – uma valorização dos imóveis que hoje são atingidos pelas enchentes.

A dragagem do rio é um trabalho lento, que deverá ser realizado ao longo de meses e até anos. Uma enorme quantidade de areia será retirada do fundo do rio. Seria de temer-se que o custo deste trabalho prolongado poderia ser muito elevado. Mas acontece que a areia retirada do fundo do rio é um material valioso. Com isto, o custo do serviço prestado pela draga deverá ser compensado pelo valor da areia obtida na operação.

Para entrar em funcionamento, a draga precisa de algumas instalações, que estão sendo ainda providenciadas. Ela precisa ser abastecida de água e de luz e uma tubulação metálica precisa ser instalada para fazer a retirada da areia do barco para a margem do rio.”

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