Em 1866, onze anos após a sua fundação, 330 famílias haviam se fixado na colônia. Elas totalizavam 1571 pessoas Foto meramente ilustrativa de imigrantes alemães chegando ao Brasil

Antes do rapto da família Versteg, ocorrido em 1868, a Colônia de Santa Maria da Soledade (que tinha sua sede na atual cidade de São Vendelino) conseguira manter-se livre de ataques dos bugres. Havia na colônia, inclusive, um canhão que era acionado de tempos em tempos para assustar os índios e mantê-los afastados. Por isto não houveram outros incidentes de ataque dos bugres, a não ser o tão propalado rapto. E depois deste acontecimento, que teve grande repercussão, foram tomadas sérias providências para acabar com a ameaça de novos ataques. Em 1870 uma comissão formada por colonos e liderada pelo felizense Johann Weissheimer conseguiu firmar um pacto com os índios pelo qual eles se afastaram para terras do norte do estado, deixando em paz os colonos do Vale do Caí.

O governo brasileiro dava grande importância à colonização alemã, pois esta estava trazendo muita prosperidade para o estado. E, graças a estas providências bem sucedidas, conseguiu impedir que o perigo representado pelos ataques dos índios viesse a determinar o fracasso da colonização. Assim, apesar das dificuldades, a colônia criada por Montravel foi sendo povoada. Em 1866, onze anos após a sua fundação, 330 famílias haviam se fixado na colônia. Elas totalizavam 1571 pessoas. Destas 945 eram nascidas na Alemanha, 389 no Brasil, 194 na Holanda, 34 na Suíça, 8 na Bélgica e 1 na França. Em 1860 já havia na colônia seis grandes armazéns, além de outros menores. E já havia, neste ano, um moinho movido a água em funcionamento e outro em construção. Em 1861 estavam estabelecidos na Colônia de Santa Maria da Soledade um ferreiro, um fabricante de cerveja, um charuteiro, um tecelão (provavelmente Felipe Keller), um seleiro, dois marceneiros, três alfaiates, quatro sapateiros, cinco pedreiros, um tanoeiro (fabricante de pipas e barris) e um funileiro. Em 1864 é construída a primeira capela, que os colonos dedicam a São Vendelino. Atribui-se a escolha deste nome ao fato de que alguns colonos vindos para São Vendelino provinham da cidade alemã de Sankt Wendel. O prédio serve também de escola para os filhos dos colonos.

Pioneiros da colônia de Santa Maria da Soledade
Entre os colonos que se estabeleceram na colônia encontravam-se vários ex-soldados brummer:.

Antonio Andrioly, natural da Suíça, era casado com a alemã Ernestina. O casal estabeleceu-se no lote 37, na segunda légua do distrito de Barcellos.

Frederico Braun ficou com o lote 25, na margem esquerda do arroio Forromeco.
Ernesto Germano Doebber foi professor primário em São Vendelino. No ano de 1865 ele contava com 12 alunos e 8 alunas. Foi também, nesta mesma época, pastor da comunidade evangélica local. Em 1866 a sua paróquia contava com 61 famílias no Forromeco, 24 em Linha Francesa, 37 em Santa Clara e 16 no Vale Suíço. Mesmo morando em São Vendelino, ele atendia famílias evangélicas de outras comunidades, como Caí e Conventos (no vale do rio Taquari). Mais tarde ele mudou-se para Conventos.
Carlos Gaertner, que foi segundo tenente de artilharia até pedir demissão do exército brasileiro em 1855, tornou-se agrimensor e foi diretor da Colônia de Santa Maria da Soledade na parte do Forromeco Superior e da Linha Francesa.

Frederico Otto Grunitzky, que já atuava como professor junto à comunidade católica de Bom Princípio no ano de 1863, tornou-se professor público na Colônia de Santa Maria da Soledade. A sua escola servia também como igreja e, aos domingos, Grunitzky “lia” a missa, já que naquela época ainda não existiam padres na região. Em 1870 o professor Grunitzky passou a atuar na Feliz. Mas permaneceu no magistério por pouco tempo. Tornou-se caixeiro viajante da firma Boehmer & Doerken, de Porto Alegre.
Ludovico Herpich ocupou o lote 73 do Distrito de Silveiro. Foi um dos fundadores da comunidade evangélica de Linha General Neto, em 1884.

Francisco Piangers foi colono do lote 62 da segunda légua do Distrito de Barcellos. Foi um dos primeiros a fixar-se na Colônia, já no ano de 1856. Mas não permaneceu. Anos depois ele encontrava-se radicado em Taquara do Mundo Novo (atual Igrejinha).
Henrique Tank, Gustavo Kobold e Daniel Hopp também são ex-brummer que se estabeleceram na antiga Colônia de Santa Maria da Soledade.

À beira da falência
No início da década de 1870 colônia Santa Maria da Soledade dava visíveis sinais de prosperidade. Mas a empresa colonizadora enfrentava sérias dificuldades financeiras. Para livrar-se da falência, Montravel e seus sócios fazem um acerto com o governo imperial devolvendo as terras da colônia, em troca de uma indenização de 309.289 réis. Isto aconteceu em 1873 e, a partir daí, o governo assumiu a administração da colônia. O que não foi muito bom de início.

Mas, no ano seguinte a administração foi entregue a Eugênio Carrard, que se mostra competente na administração e consegue fazer a colônia prosperar. Com isto, em 18 de janeiro de 1877 foi extinta a colônia, passando a região a ser regida pela legislação comum. São Vendelino, a povoação que foi se formando aos poucos e tornando-se sede da antiga colônia, tornou-se sede de um distrito pertencente ao município de São João de Montenegro, criado no ano de 1873. Com isto, a população local passava a ser subordinada às leis comuns a todo o império. Não mais à legislação especial que determinava certas condutas específicas para as colônias, como a que proibia que os colonos possuíssem escravos. Com a extinção da colônia, o governo considerava que a população local já tinha condições de conduzir o seu destino, dispensando o apoio especial do governo.

As terras situadas do lado direito do arroio Forromeco passaram a pertencer ao município de Montenegro. O lado esquerdo do arroio pertencia ao município de São Leopoldo. Em 1875, com a emancipação de São Sebastião do Caí (emancipado de São Leopoldo) as terras do lado esquerdo do arroio passaram a pertencer a este novo município. Em 14 de maio de 1877 São Vendelino foi elevado à categoria de freguesia, sendo oficializado este nome como denominação do local.. Com isto, a povoação passava a ter seus próprios livros de batizados, casamentos e sepultamentos. Naquela época não existiam cartórios de registros e os papéis da igreja eram os que valiam.

Mas em 10 de maio de 1879 a São Vendelino foi rebaixada à condição de capela curada, ficando subordinada a Bom Princípio, que foi elevada à condição de freguesia. Perdeu, portanto, a sua condição de sede da freguesia, passando esta a funcionar na capela de Bom Princípio.

Em 1883, no dia 29 de dezembro, foi criada novamente a freguesia de São Vendelino, desmembrada da de Bom Princípio. Mas os problemas continuaram, pois em 1885 o bispo Dom Sebastião Laranjeira nomeou um padre italiano, Bartolomeu Tiecher, como pároco local. O padre não sabia falar o alemão e acabou se desentendendo com a comunidade vendelinense. Assim, por um bom tempo, São Vendelino ficou sem o atendimento de um padre residente na vila. Somente em 1933, o problema foi solucionado, com a vinda do padre João Vilibaldo Schmitz.

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